Aumenta número de mulheres no crime em Mato Grosso
Elas têm participado cada vez mais de situações delituosas, principalmente no tráfico de drogas
Embora os homens ainda sejam colocados em posições de destaque no mundo do crime, as mulheres têm participado cada vez mais de situações delituosas, principalmente no tráfico de drogas, pequenos furtos e roubos. Em Mato Grosso, outro fator que tem chamado atenção das forças policiais é que o público feminino também ocupa liderança em facções criminosas.
De acordo com informações da Polícia Civil, do total de 53 criminosos que foram denunciados como membros do Comando Vermelho, destes 17 são mulheres. A informação chegou até as autoridades durante a deflagração da operação Ares Vermelho, que desvendou uma rede criminosa responsável por crimes patrimoniais de roubos, furtos, receptação e adulteração de veículos em Mato Grosso. Hoje, o número de mulheres presas está em 578 nos presídios do Estado. Já a população prisional masculina é de 95%, 10.668 pessoas.
Sorriso
Conforme o Portal Sorriso noticiou, Mariana Reis Moscatelli de Carvalho, 24 anos, teve a prisão preventiva decretada em dezembro de 2016. A decisão foi expedida pela juíza Mariana Carlos França, da comarca de Sorriso. À época, ela respondia por, pelo menos três crimes: associação ao tráfico de drogas, organização criminosa e falsidade ideológica.
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Mulheres recrutadas pelas facções
Na avaliação do professor e sociólogo Naldson Ramos, membro do Núcleo de Violência e Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o espaço da mulher hoje na sociedade se tornou mais visível e ampliou em todos os setores, inclusive no crime. Então nada mais natural do que este público estar presente em todas as áreas da vida produtiva, como por exemplo, na faxina, empresas, meio judiciário e ainda na política.
“Antigamente a participação da mulher no crime era quase nula. Em 1990, o número chegava a 1%. Só que o mercado de trabalho ainda continua preconceituoso com a presença feminina e isso dificulta ingressar no mercado de trabalho. Agora, o que percebemos também é que a maioria das mulheres que entram para esta vida é porque não tiveram oportunidade de estudo, profissionalização, famílias desestruturadas e acabam não tendo outra opção a não ser ir para o mundo do crime”.
Conforme Naldson, o Comando Vermelho como outras organizações criminosas recruta homens e mulheres. Em muitos casos, isso acontece porque o marido foi morto ou preso e elas acabam assumindo o comando no lugar do esposo, como chefe da boca de fumo, liderança em um grupo criminoso ou ainda ser responsável pela compra e revenda de entorpecentes.
Este é o caso de Yulle Carla Macedo, esposa do traficante Enatel dos Santos Albanez, mais conhecido como Maninho, depois de ser considerado o maior traficante de Cuiabá, em 2015, e morto no mesmo ano, acabou assumindo o comando do tráfico da Capital. A suspeita foi presa pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) durante a deflagração da operação ‘Campo Minado’. Ela atuou no comando por dois anos.
Os policiais chegaram até a suspeita depois que receberam informações anônimas no WhatsApp. O informante relatou na mensagem que Yulle era a principal fornecedora e comandante da quadrilha desde a morte do marido.
“É difícil ter políticas especificas para esta ou aquela área. Na verdade, as políticas públicas devem estar acessíveis a todos, principalmente na área da educação, qualificação profissional, escola, esporte e lazer. São essas macropolíticas que servem de base para que o jovem seja homem e se insira netas práticas, e vivências que possam a ser afastar do crime. Agora, as jovens que tem filhos entre 16 e 18 anos elas acabam tendo a responsabilidade de cuidar dos filhos porque os pais também jovens abandonam. Neste caso, a maioria entra para a criminalidade sem chances depois de voltar para a vida normal”, finalizou.