Apenas 40,6% de crianças têm ensino adequado em MT
Estado tem uma das mais baixas taxas de escolarização adequada
Mato Grosso está entre os cinco estados brasileiros que contam com mais professores com nível superior de ensino trabalhando em creches e pré-escolas. Porém, é um dos Estados com um os piores desempenhos ou com uma das mais baixas taxas de escolarização adequada na faixa etária dos quatro a seis anos, etapa em que o percentual de matriculas atinge apenas 40,6% das crianças com idade ideal na pré-escola.
Dados como estes fazem parte da primeira edição do relatório “A Criança e o Adolescente nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Marco Zero dos Principais Indicadores Brasileiros”, produzido pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Em nível nacional, o estudo aponta que a redução das desigualdades entre as regiões brasileiras no acesso e na qualidade da educação é um dos principais desafios do país para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) até 2030.
O levantamento traz os resultados de cada etapa da educação básica (infantil, fundamental e médio). Quanto à taxa de escolarização líquida na pré-escola, àquela que se refere as crianças que estão na etapa correta de ensino de acordo com a idade, o relatório aponta como preocupante a situação de Mato Grosso, do Amapá, Amazonas, Rondônia e do Acre, uma vez que todos apresentam percentuais de escolarização abaixo dos 50%. No conjunto de estados que registram as taxas de escolarização líquida mais alta na pré-escola, todos pertencem à região nordeste, com exceção de São Paulo. Neste quesito, Sergipe ocupa a primeira posição índice de escolarização líquida de 65,5%.
Paralelamente, o Estado também aparece com a maior proporção de professores da educação infantil com ensino superior completo na mesma fase de ensino. Entre os profissionais que trabalham em creches, 77% completaram a faculdade. O percentual aumenta quando se refere aos docentes que atuam na pré-escola: 84,2% têm graduação, conforme o levantamento feito pela Abrinq. Conforme o relatório, a média nacional neste quesito é de 65,8% dos professores.
Quando se trata do ensino fundamental, que é uma das etapas da educação básica, de caráter obrigatório, e que atende crianças a partir dos seis aos 14 anos, o relatório mostra que, dentre aqueles que apresentam menores percentuais de distorção idade-série nesta etapa de ensino está Mato Grosso com 6,7%. O desempenho é melhor, inclusive, que São Paulo (7,2%) e Paraná (12,5%).
Além disso, o Estado é um dos que apresentam a maior dispersão da taxa de aprovação nos anos iniciais (1º ao5º ano), que é de 98,1%. Já em relação à aprovação nos anos finais (6º ao 9º), Mato Grosso (95,1%) atinge a liderança das aprovações, seguido por São Paulo (93,4%). Já os percentuais de abandono, variam entre 0,2% nos anos iniciais e 1,1% na etapa final.
Procurados pela reportagem do Diário, as Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Municipal de Educação de Cuiabá (SME) não se manifestaram sobre o estudo até o início da tarde de ontem. O levantamento da Abrinq compõe uma série de quatro relatórios que serão publicados para analisar os principais indicadores nacionais associados a crianças e adolescentes para o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
O compromisso para implementar os ODS foi assinado há dois anos por 193 países, incluindo, o Brasil. Os ODS deverão orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos, sucedendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).