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“Amo o filho que crio, mas quero o meu biológico”, diz mãe
Francielli Monteiro Garcia, de 24 anos, disse que irá processar hospital por danos morais
“Meu mundo desabou. Amo o filho que crio, mas quero o meu biológico de volta em meus braços o mais rápido possível”.
O desabafo é de Francielli Monteiro Garcia, de 24 anos, que descobriu, em outubro do ano passado, que o filho que cria há nove meses não seria o mesmo o qual ela deu à luz.
A suposta troca de bebês ocorreu no Hospital Regional de Alta Floresta (a 800 km ao Norte de Cuiabá). A jovem disse que fez um exame de DNA confirmando o erro.
A reportagem entrou em contato com a outra mãe, identificada como Erivânia da Silva Santos, mas não recebeu resposta.
Em entrevista ao MidiaNews, Francielli contou que entrou em trabalho de parto no dia 20 de maio de 2017 e o seu filho nasceu às 20h46. Em seguida, ele foi colocado em berço aquecido e com oxigenioterapia, enquanto ela foi levada ao centro cirúrgico para controlar uma hemorragia.
Ela disse que, no momento em que recebeu alta e foi para casa, desconfiou que o filho poderia ter sido trocado.
“Percebi que o bebê poderia não ser meu no momento em que chegamos em casa, que minha mãe foi dar banho nele e eu pedi para tirar a pulseirinha para guardar. Aí vi que ali não constava meu nome. Entrei em contato por telefone com o hospital, que nos acalmou dizendo que em hipótese alguma poderia ter acontecido a troca”, disse.
Conforme a jovem, o hospital ainda a orientou a aguardar a outra mãe se manifestar, caso visse o nome dela na pulseira do bebê que lhe foi entregue e estranhasse também. Mas, segundo Francielli, ela nunca se manifestou.
A descoberta
A jovem relatou ter visto o filho biológico na sala de espera de um posto de saúde de Alta Floresta no dia 3 de outubro, no colo de Erivânia, quando esperavam por consultas de rotina dos bebês.
Segundo ela, o bebê tinha a mesma fisionomia do marido dela, o que lhe chamou a atenção.
“A sensação que tive quando vi meu filho pela primeira vez foi um estado de choque junto com emoção e muita dúvida. Me perguntava: será que ele é meu filho mesmo, porque se parece muito com meu esposo. Propus a Erivânia para fazermos o exame de DNA, mas ela disse que falaria com o esposo e não fez. Mas eu fiz o exame para buscar respostas", disse.
De acordo com Francielli, o resultado saiu em novembro e comprovou que o bebê que estava com ela, então com seis meses de idade, não era dela.
“Quando soube que o bebê que crio não era meu biológico, entrei em prantos, chorei muito. Continuo cuidando dele como se fosse meu, mesmo sabendo que não é o meu biológico, o amo muito. Ele é tudo pra mim, vive comigo 24 horas", relatou.
Resistência x convivência
Francielli afirmou que, atualmente, mantém contato com o filho biológico, assim como a outra família também tem livre acesso ao filho que está com ela.
Ela disse que no início Erivânia tinha muita resistência com a situação, mas agora, segundo a jovem, entende que o filho que está com ela não é dela.
“As duas famílias estão tendo contato constante tendo uma adaptação para com questão dos bebês se acostumarem com ambas as mães biológicas. A adaptação está bem. Graças a Deus o meu filho fica bem comigo e minha família. E o dela também vai bem com eles”, disse .
Ela ressaltou, porém, que quer manter contato com a outra família, mesmo após a situação ser resolvida.
"Temos dois filhos agora, um de sangue e outro de leite. Sabemos que houve negligência do hospital e só queremos que tudo se resolva da melhor maneira possível", afirmou.
Caso na Justiça
Por determinação da Justiça, as mães e os dois bebês devem passar por exames de DNA reversos para comprovar a maternidade das crianças.
O caso tramita sob sigilo na Justiça por se tratar de crianças. Francielli disse que vai processor o hospital pelo erro.
“Depois que se resolver a questão das trocas dos bebês, vamos deixar que a Justiça seja feita da maneira mais correta em relação a punir o hospital contra uma ação e danos morais”, pontuou.
Outro lado
Por meio de nota, o hospital confirmou que as duas mães ficaram alojadas no mesmo ambiente após o parto, em conjunto com os respectivos filhos, até a alta hospitalar e que não houve falha nos procedimentos adotados pelos funcionários da unidade.
De acordo com o hospital, os recém-nascidos saíram "corretamente identificados constando o nome da mãe, data, horário do nascimento e sexo".
No dia 20 de maio, segundo o hospital, duas mães estavam em trabalho de parto, sendo que o filho de Francielli nasceu às 20h46 e foi colocado em berço aquecido e com oxigenioterapia, enquanto ela foi levada ao centro cirúrgico para controlar uma hemorragia.
Na outra sala, a outra mãe teve o bebê dela, que foi entregue a ela em alojamento conjunto.
"A acompanhante relatou que esteve todo o tempo acompanhando o processo, desde o parto até o outro dia. E que não consegue imaginar como isto foi acontecer, pois permaneceu acompanhando e cuidando do recém-nascido desde o seu nascimento", diz trecho da nota enviada pelo hospital.