Mulher que sofreu graves queimaduras em acidente doméstico morre após quase três semanas internada
Alan se cala em pergunta e juíza diz que ele não merece benefício
Empresário é acusado de ter lavado dinheiro para ex-secretários Pedro Nadaf e Arnaldo Alves
O empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, foi interrogado na tarde desta sexta-feira (21) na ação penal derivada da 4ª fase da Operação Sodoma. A audiência foi conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
Esta fase apura esquema envolvendo uma desapropriação no valor de R$ 31,7 milhões, em um terreno no Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, que pertencia à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários.
Do valor total pago pela área, metade (R$ 15,8 milhões) teria retornado a título de propina para a organização criminosa liderada por Silval Barbosa (PMDB).
Na ação, Alan Malouf é acusado de ter lavado um total de R$ 2,1 milhões do desvio, fato que foi corroborado na confissão do ex-secretário de Estado da Casa Civil, Pedro Nadaf.
O ex-secretário contou ao MPE que a propina recebida por ele e pelo também ex-secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves, teria sido lavada pelo empresário. Segundo as investigações, dos R$ 2,1 milhões lavados, R$ 1,5 milhão eram de Nadaf e o restante de Alves.
No interrogatório, todavia, Alan Malouf justificou que recebeu o valor a título de empréstimo, e que sequer pagou o montante. Ele também se negou a responder algumas perguntas feitas pelo Ministério Público Estadual (MPE), sendo advertido pela juíza.
Confira detalhes da audiência:
"Não sabia" (atualizada)
Alan Malouf afirmou à juíza que, a princípio, não sabia da existência do esquema e que os valores recebidos foram pelos serviços prestados pelo buffet no evento de posse de Silval.
"Eu não sabia que o dinheiro era ilícito. Eu sei que o Estado pagava através de licitações, só que eu nunca fui contratado assim. Fui chamado pelo[ex-secretário] Eder Moraes, que disse que o ex-governador queria fazer um evento da posse e, naquele momento, o Éder disse que ia me pagar com verba de gabinete".
"A festa era para mil pessoas, mas no dia havia mais de quatro mil pessoas. No total, recebi R$ 950 mil em duas vezes.Eu até desconfiava que não era dinheiro lícito, mas eu recebi, senão não receberia nada. Na época o Eder me disse que ia pagar em até três meses, mas não pagou".
Pago por Nadaf (atualizada)
Em razão do não pagamento de Eder, Alan Malouf disse que procurou Pedro Nadaf, no final de 2013, para tentar receber o valor.
"Ele [Nadaf] disse que era pra dar um tempo que ele ia acertar comigo. Um tempo depois ele me passou os cheques. Recebi esse valor em duas vezes, as duas em um envelope com vários cheques".
O empresário disse que nunca tratou do pagamento com o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, ou com o procurador aposentado Chico Lima.
"Só com Silval e Nadaf, e no início com o Eder".
A promotora de Justiça Ana Bardusco perguntou o porquê de Alan Malouf suspeitar que o dinheiro recebido era ilícito.
"Como o Estado não ia fazer uma licitação para me pagar, eu pensei 'ou eles vão me pagar com dinheiro próprio, ou não sei de que jeito eles iam pagar, mas ou eu recebia ou levava o cano'. E esses R$ 950 mil não foi só para minha empresa, porque eu contratei outras para o evento, como de decoração".
"Eu estava na empresa e uma mulher do gabinete do Pedro Nadaf disse que me mandaria um emissário para me procurar para fazer o pagamento. Eu não conheço quem me entregou o envelope, era um homem de 40 anos mais ou menos, me entregou e disse que nem precisaria fazer o recibo", explicou Alan Malouf, sobre o primeiro pagamento que recebeu.
Já o segundo pagamento, segundo ele, foi recebido por meio de um de seus funcionários. Alan disse que usou o montante para pagar fornecedores.
"Empréstimo" (atualizada)
Alan Malouf negou que tenha lavado dinheiro para Nadaf e Arnaldo Alves e argumentou que os R$ 2,2 milhões recebidos foi a título de "empréstimo"
"Eu recebi R$ 1,6 milhão de Pedro Nadaf e R$ 600 mil do Arnaldo Alves. Me entregaram em vários cheques. Eu peguei esses valores emprestado com eles, o meu erro foi não ter feito nenhuma documentação. Eu estava necessitando do empréstimo e emprestei".
"Eu não paguei esse empréstimo. Em 2015, o Nadaf me procurou dizendo que queria receber e eu disse que não tinha o valor naquele momento. Falei para ele que tinha uns imóveis, mas ele disse que não o interessava. Então não foi pago".
Juíza alerta empresário (atualizada)
Alan relatou que havia conversado informalmente com Nadaf, dizendo que estava passando por uma dificuldade e não conseguia crédito no banco.
"Ele disse que tinha um valor guardado e poderia me emprestar. O Nadaf disse também que o Arnaldo tinha um dinheiro e que era para eu falar com ele. O Arnaldo eu conhecia há muito tempo. Dos R$ 600 mil do Arnaldo, R$ 300 mil foi passado pra mim pelo próprio Nadaf, que disse que tinha uma dívida desse valor com ele".
A promotora de Justiça então questiona sobre outro depoimento de Alan Malouf ao Ministério Público Estadual (MPE), oportunidade em que ele havia dito que estava tratando de um imóvel com Nadaf.
"Eu prefiro não tratar desse assunto agora", respondeu.
Diante da negativa, a juíza fez um alerta que a omissão de informações pode prejudicar uma possível diminuição de pena em caso de condenação.
"O senhor orientou o seu cliente sobre o benefício da confissão?", perguntou Selma ao advogado Huendel Rolim.
"Porque está me parecendo que ele não vai merecer", completou Selma. Ana Bardusco também perguntou se Alan fez contratos fictícios com Nadaf para justificar as transações. Ele também se negou a responder.
"Não quero falar sobre isso no momento".
O depoimento é encerrado.