Aeronautas podem suspender voos a Brasília para atrapalhar votação das reformas
Na sexta-feira, MTST quer dificultar acesso a aeroportos em São Paulo
O Sindicato Nacional dos Aeronautas (categoria que reúne pilotos, copilotos e comissários de voo) realiza assembleias nesta quinta-feira em cinco cidades na qual vai debater uma paralisação apenas dos voos para Brasília (DF) na próxima semana. A intenção é prejudicar a chegada de parlamentares à capital nacional e, consequentemente, a votação das reformas, em especial, a da Previdência.
A proposta, antecipada por fontes ao GLOBO, ainda é tratada nos bastidores pela categoria e defendida como a medida ideal porque atenderia a dispositivos da legislação sobre greve no setor, de manter 80% das atividades e anunciar a paralisação com 72 horas de antecedência. Se aprovada, a mobilização teria início na próxima terça-feira, mesmo dia em que está marcada a votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara.
Na sexta, trabalhadores das mais variadas atividades poderão cruzar os braços ao longo do dia, em todos os estados, segundo as centrais sindicais. O apelo das entidades é direto: "Não saia de casa nesta sexta-feira, dia 28!", diz a convocação. Funcionalismo público, professores e trabalhadores em transporte estão entre as principais categorias.
No Rio, os motoristas de ônibus já confirmaram que vão participar da greve, enquanto metroviários e ferroviários ainda decidem. A CUT informou que 34 categorias já confirmaram a participação no movimento. Estão no grupo trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ), bancários do Rio, Teresópolis, Baixada, Macaé e Campos, profissionais de educação do Rio e de vários municípios da Baixada Fluminense (Educadores Municipais e Estaduais (Sepe-RJ), docentes da UFRRJ (Adur-RJ), professores da UFRJ, Adufrj, docentes e servidores da UFF, Aduff, Sintuff, docentes da UERJ, Asduerj).
Em São Paulo, trabalhadores do transporte público (ônibus, metrô e trens), bancárias, comerciários, professores das escolas públicas e privadas e até os motoboys já decidiram cruzar os braços na sexta-feira.
Em dezenas de assembleias realizadas nos locais de trabalho nos últimos dias, os bancários paulistas fecharam com a paralisação. De acordo com o sindicato, filiado à CUT, oito em cada dez bancários votaram pela adesão.
Além das escolas públicas e privadas, até as Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus avisaram em nota: por conta da “Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e o Projeto de Terceirização aprovado pela Câmara dos Deputados (...) comunicamos nossa adesão à paralisação a ser realizada no dia 28 de abril de 2017”.Na base da Força Sindical e da CUT, ainda vão aderir ao movimento ainda categorias como metalúrgicos, químicos e trabalhadores da construção civil.
“A mobilização é necessária para mostrar ao governo a força da classe trabalhadora, que não aceita a retirada de direitos”, declara Paulo Pereira da Silva, Paulinho, presidente da Força Sindical.A União Geral dos Trabalhadores (UGT), que reúne os sindicatos dos comerciários de vários estados realizou assembleias durante os últimos dias que ratificaram a adesão ao movimento.
“Essa paralisação é para mostrar a indignação dos trabalhadores brasileiros com relação sobretudo à absurda aprovação da reforma trabalhista. Estamos vendo a destruição da CLT, há uma intenção muito clara de acabar com a estrutura sindical, de flexibilizar e retirar direitos adquiridos”, disse Ricardo Patah, presidente da UGT.
Em São Paulo, disse, os motoboys estão encarregados de fechar as principais vias da capital paulista, com fileiras de motos, a partir das 5 horas de sexta. A UGT também colocará carros de som nas principais estações do trem para explicar aos usuários os motivos da greve.
No Rio, segundo balanço divulgado pela CUT, mas com base em dados de outras centrais, já confirmaram a adesão à paralisação de sexta os professores municipais e estaduais, rodoviários, os servidores públicos federais e do judiciário, Correios e enfermeiros, além dos bancários das cidades do Rio de Janeiro, Teresópolis, Campos e Macaé.