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Advogado de Riva que foi mantido refém pede reflexão Dos direitos humanos
“Só quem passou sabe como é”, declarou após ficar sob a mira de bandidos
O advogado do ex-deputado José Riva, Mário Ribeiro de Sá, de 74 anos, que foi mantido como refém por mais de dez horas, junto com a esposa, dentro da sua casa no bairro Jardim Tropical, em Cuiabá, pediu uma reflexão na questão dos direitos humanos e também na segurança.
Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, ele ressaltou que “só quem esteve na situação em que eu estive sabe como é”.
Questionado sobre os momentos de terror pelo qual passou nas mãos dos dois criminosos, que ficaram com facas apontadas para suas cabeças, o advogado preferiu não entrar em detalhes. No momento, ele pretende não continuar a fomentar a história e deixar que ela se desenvolva pelos meios legais.
Em curta declaração, Mário Ribeiro de Sá fez um pedido: “O Brasil tem que refletir sobre duas coisas: segurança e direitos humanos. È uma reflexão que todos têm de fazer, porque só quem esteve na situação em que eu estive é que sabe o quão a questão dos direitos humanos está sendo mal colocada pela sociedade. Quando falo disto, também está envolvida a questão de mudança das leis, é de A a Z. A situação me levou a muita reflexão”.
Por fim, ele ainda parabenizou a preparação e atuação dos policiais militares durante todas as horas de negociação: “Tenho que ressaltar que o trabalho da polícia foi exemplar. Não temos nada a reclamar”, finalizou o advogado. As negociações foram geridas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e perduraram por quase dez horas.
Os assaltantes Renato de Miranda, de 31 anos, e Odair de Castro, de 27 anos, afirmaram aos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que decidiram roubar pois estavam "passando necessidade" e por isso invadiram a residência do advogado. Minutos antes de ser levado para Central de Flagrantes, Renato beijou a esposa grávida de sete meses que acompanhava o desfecho do roubo e sequestro que ele promovia.
A informação foi divulgada pelo tenente-coronel da PM, Ronaldo Roque, que passou quase dez horas negociando a rendição da dupla e a liberação dos advogados Mário Ribeiro de e Elvira Ribeiro, de 54 anos. Os dois homens invadiram a residência do casal, no bairro Jardim Tropical, por volta das 4h da última sexta-feira (21). Da sacada, a mulher percebeu e acionou a polícia, sendo rendida logo em seguida junto a seu marido.
Segundo checagem realizada pela Polícia Militar, Renato possui passagens por crime de roubo e porte ilegal de arma de fogo. Foi ele quem assumiu a frente nos diálogos e também o que se mostrou mais agressivo, tendo ameaçado os militares por diversas vezes. Da rua, ouvia-se seus gritos, além do barulho da porta da frente, fechada violentamente diante de cada negativa com os negociadores. Odair, por sua vez, possui ainda três passagens criminais.
O tenente-coronel explicou ainda que a dupla estava alcoolizada, fato que prejudicou a negociação, considerando as bruscas mudanças de humor potencializadas pela bebida. Ao longo do procedimento foi exigido pelos criminosos que a imprensa e os policiais militares deixassem o local, em um ciclo exaustivo de avanços e retrocessos junto aos acusados.
No decorrer da ação, os criminosos chegaram a tentar fugir do local levando a dona da casa, Elvira, como escudo humano. Já no início da tarde Renato arrastou a advogada do portão até o meio da rua, onde uma das viaturas estava parada. No entanto diante da impossibilidade de fuga, desistiu e retornou com a vítima para o interior da casa.
Após a rendição, a dupla foi levada para Central de Flagrantes, no bairro Carumbé, na capital. Lá, Renato demonstrou extrema agressividade e chegou a ameaçar um jornalista. Levado para cela, ele gritava para que as algemas fossem retiradas. A dupla vai responder por crimes de cárcere privado, roubo e danos além de danos ao patrimônio público já que durante o transporte para à delegacia, danificaram a viatura da Polícia Militar.