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Advogado confessa plano para impedir delação; assista
Florindo Gonçalves afirmou que falou com João Rosa a pedido do dono da rede e de ex-secretário
O advogado Florindo José Gonçalves, ex-diretor jurídico da rede de eletrodomésticos City Lar (hoje incorporada ao Grupo Ricardo Eletro), confessou à Justiça que ajudou o ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, a tentar impedir o empresário João Rosa de firmar delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE). A confissão foi feita em audiência(veja o vídeo AQUI).
A delação de João Rosa, feita em setembro de 2015, originou a 1ª fase da Operação Sodoma que, na época, levou Nadaf, o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, e o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para a cadeia.
Esta fase apura suposto esquema que teria exigido R$ 2,6 milhões do empresário João Batista Rosa, em troca da concessão de incentivos fiscais na gestão de Silval Barbosa.
Em seu primeiro depoimento, Florindo havia dito que se encontrou com João Rosa para tratar de venda de ar-condicionado. Porém, após ser denunciado por falso testemunho, ele voltou atrás e decidiu contar a verdade.
Encontro com Nadaf e dono da City Lar
Na retratação, Florindo contou que estava na sede da City Lar quando foi chamado para uma reunião com o então dono da empresa, Erivelto Gasques, e o ex-secretário Pedro Nadaf.
“O senhor Pedro Nadaf chegou no escritório do Erivelto e, conversando com o Erivelto, ele estava desesperado achando que o João Rosa tinha feito delação. Aí o Erivelto me chamou até a sala para ver a possibilidade de ir na casa do João Rosa. O Pedro me perguntou se eu sabia onde era a casa do João Rosa, eu informei que não, então o Pedro me explicou onde era. O Erivelto falou que sabia e que me levaria lá”, disse.
Durante a conversa, Florindo disse que Erivelto e Nadaf questionaram se ele tinha alguma justificativa para ir até João Rosa sem levantar suspeitas.
“Eu falei para o Erivelto e para o Pedro que eu poderia ir porque o João Rosa não estava indo nas reuniões da CDL [Câmara de Dirigentes Lojistas] por conta de problemas de saúde e também porque ele tinha falado da compra de ar-condicionado. Então eu teria argumento pra ir falar com ele. Ficou combinado de depois da conversa com João Rosa, se encontrar com o Pedro na Padaria América, que fica perto da casa do João Rosa”.
Florindo explicou que foi “escolhido” para falar com João Rosa em razão de ser membro da CDL e ter bastante convivência com o empresário, que presidia a entidade.
“O Erivelto pegou o carro e fui eu e o Erivelto lá no prédio. O Erivelto ficou no carro e eu cheguei na portaria, me identifiquei . Em seguida, o João Rosa ligou no meu celular perguntando se era realmente eu que estava lá”.
Após entrar no prédio, Florindo disse que se encontrou com João Rosa e os dois conversaram no saguão do local.
“Ele perguntou se eu queria subir. Eu falei pra ele que não era necessário. Foi uma conversa muito rápida. Eu disse que tinha ido lá a pedido do Pedro para saber se ele tinha feito a delação ou não. Ele disse que não e eu disse que o Pedro Nadaf queria conversar com ele e queria que eu marcasse um encontro com ele. Ele ficou meio paralisado e, na sequência, falou que iria pensar se iria marcar esse encontro ou não, e se realmente tivesse esse encontro ele entraria em contato comigo para marcar hora e local”.
“Eu também disse ao João Rosa que o Nadaf afirmou que, se ele não tivesse feito a delação, não era para fazer nada enquanto não falasse com ele”, relatou.
Além disso, o advogado contou que, também a pedido de Nadaf, alertou João Rosa sobre um possível “grampo” no telefone do mesmo.
“No dia da conversa, eu cheguei e falei para ele [João Rosa] que o telefone dele estava grampeado e se a gente fosse ligar, como havia a questão da compra do ar-condicionado, eu ia ligar e perguntar se ele ia para a reunião do ar-condicionado, e não reunião com Nadaf. Isso foi pedido do Pedro, ele quem deu essa orientação. Ele disse que não era para falar no telefone o nome dele, Pedro Nadaf”.
Segundo Florindo, a conversa foi rápida e, após sair do prédio, foi até a Padaria América, no Jardim das Américas, passar o recado a Nadaf.
“Eu então voltei para o carro do Erivelto e fomos para a padaria. Estava lá o Pedro Nadaf e o Marcel [de Cursi]. Quando chegamos, já estavam os dois. Eles estavam conversando sobre uma defesa do João. Parou a conversa, nós entramos no detalhe de que o João Rosa não tinha feito a delação e aí ele [Nadaf] perguntou como ficou a questão de marcar o encontro com João Rosa. Aí eu disse ‘olha, ele falou que vai pensar e depois vai entrar em contato comigo se vai marcar a reunião e aí vai marcar a hora e o local’. Foi muito rápido, os dois estavam sentados e eu e Erivelto ficamos de pé, falamos essas coisas e saímos. Tinha mais gente na padaria, mas na mesa só estavam os dois”.
O ex-diretor jurídico da City Lar alegou que mentiu no primeiro depoimento por orientação de Nadaf.
“Foi o Pedro quem me pediu. Já naquela primeira reunião, ele disse que independente do que acontecesse, jamais era para falar dessa tentativa de encontro do Pedro com ele”.