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Acusado diz que Dóia teria recebido R$ 3 milhões de empresa
Marcelo Costa revelou em depoimento na Operação Bereré que valor era propina para impedir licitação
O empresário Marcelo da Costa e Silva, sócio da Santos Treinamento, afirmou que a empresa GRV Solutions, que até 2010 teve como sócio o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, pagou propina de R$ 3 milhões para o ex-presidente do Detran-MT e delator da Operação Bereré, Teodoro Lopes, o “Dóia”.
O valor teria sido pago para impedir que Dóia lançasse uma licitação, em 2009, que visava substituir a empresa GRV Solutions.
A empresa, que foi vendida para a Cetip e hoje se chama B3, fazia o registro de contratos de financiamento de veículos comprados em Mato Grosso, serviço atualmente prestado pela EIG Mercados (antiga FDL).
A informação consta em depoimento dado no dia 19 de fevereiro à Delegacia Fazendária, mesma data em que foi deflagrada a operação que apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no âmbito da autarquia, na ordem de R$ 27,7 milhões, por meio do contrato firmado de forma fraudulenta com a EIG Mercados, em 2009.
Conforme as investigações, parte dos valores repassados pelas financeiras à EIG retornava como propina a políticos, entre eles o ex-governador Silval Barbosa, o ex-deputado Pedro Henry, e os deputados Mauro Savi e Eduardo Botelho, ambos do PSB. Após o pagamento os valores eram “lavados” por meio da empresa Santos Treinamento, que era parceira da FDL no contrato.
Marcelo Costa, que confessou ter integrado o esquema, disse que a partir de 2003 houve uma alteração no Código Civil que permitiu que os Detrans pudessem fazer os registros dos veículos, serviço que até então era feito apenas pela empresa GRV.
Ele disse que em 2007 foi procurado pelo empresário Roque Reinheimer, da Santos Treinamento, e, posteriormente, os dois se reuniram com o sócio da EIG Mercados visando implementar o serviço em Mato Grosso.
Marcelo afirmou que se tornou sócio da Santos Treinamento e investiu R$ 300 mil para que a empresa estivesse estruturada o suficiente para participar da licitação no Detran-MT, em parceria com a EIG Mercados, em 2009.
Propina da GRV
Segundo o empresário, o edital da licitação foi suspenso várias vezes pelo então presidente do Detran-MT, o Dóia, “o qual por motivos diversos sempre arrumava um motivo para suspendê-la”.
“A empresa GRV, de propriedade de Carlos Augusto Montenegro, responsável por fazer esse gravame no país todo, não tinha interesse que o edital de MT fosse lançado, pois iriam perder esse mercado”.
Marcelo relatou que sempre que o edital era lançado, Dóia viajava ao Rio de Janeiro e a São Paulo, se reunia com a gerência da GRV e, na volta, acabava suspendendo o edital.
“Tomei ciência por um diretor operacional da GRV da época, cujo nome não me recordo, que em um desses encontros de Dóia no Rio de Janeiro, em uma reunião de presidentes de Detran, Dóia teria recebido da GRV o montante de R$ 3 milhões para suspender a licitação”.
Diante da informação, Marcelo Costa afirmou que foi até a casa de Dóia, no Bairro Jardim Petrópolis, em Cuiabá, e disse ao presidente do Detran-MT que sabia da propina de R$ 3 milhões e que se “continuasse com aquela atitude de impedir a execução do edital eu iria denunciá-lo ao Ministério Público”.
“Após essa conversa com Dóia, este acabou por soltar o edital e tudo passou a fluir de forma normal, possibilitando a execução do certame”.
“A licitação ocorreu de forma lícita, sendo que foi muito difícil os processos licitatório, com muitas discussões jurídicas, tendo a GRV trabalhado com várias empresas pequenas com o intuito de embaraçar a licitação, contudo acabou a empresa FDL, atual EIG, sagrando-se vencedora no certame, tendo assim no fim do ano de 2009 ocorrido a celebração do contrato entre a FDL e o Detran-MT”, disse ele.