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Tragédia em Sorriso: Réus fogem durante julgamento e são condenados a 20 anos de prisão por homicídio
Acusados de matar trabalhador por engano abandonaram as sessões física e virtual antes da leitura da sentença; ambos são considerados foragidos
O julgamento que deveria encerrar um capítulo de dor de quase uma década terminou com uma reviravolta dramática no Tribunal do Júri de Sorriso. Enquanto uma criança de nove anos assistia da plateia à busca por justiça pelo pai que nunca conheceu, os dois homens acusados pelo crime protagonizaram uma fuga simultânea, sendo uma física e outra virtual, antes mesmo de ouvirem suas sentenças. Francisco dos Reis Almeida Silva, conhecido como “Gula”, e Kelson Serra foram condenados a 20 anos de reclusão cada, em regime inicial fechado, por homicídio duplamente qualificado. Ambos agora são considerados foragidos da Justiça, já que o juízo determinou o cumprimento imediato da pena.
A sessão corria normalmente até que os acusados decidiram abandonar o julgamento em momentos distintos. Kelson, que acompanhava a sessão por videoconferência diretamente do Maranhão, realizou uma fuga virtual ao se desconectar da transmissão assim que o Ministério Público iniciou a fase de réplica. Pouco depois, Francisco, apontado como o executor dos disparos, protagonizou a fuga física ao pedir permissão para ir ao banheiro do Fórum de Sorriso, de onde não retornou mais ao plenário. Apesar da ausência da dupla, o Conselho de Sentença prosseguiu com os ritos jurídicos até a leitura da condenação.
O crime, ocorrido em setembro de 2016, teve como vítima o operário Antônio Bezerra da Silva, que acabou morto por engano. De acordo com as investigações e a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Antônio foi assassinado por um motivo considerado fútil e sem qualquer chance de defesa, baseado na suspeita infundada de que ele teria furtado um revólver pertencente a Francisco. Na verdade, Kelson havia apontado Antônio erroneamente como o autor do furto. A vítima era um trabalhador que estava no local apenas para cumprir seu ofício de instalar um portão, sendo surpreendido e baleado enquanto trabalhava, completamente desarmado.
Para além dos termos técnicos do processo, o julgamento foi marcado por uma forte carga emocional e pelo reflexo humano da violência. Na época do assassinato, Antônio vivia em união estável há cinco anos e sua companheira estava no quinto mês de gestação. O bebê daquela época hoje é um menino de nove anos que cresceu sem a referência paterna e esteve presente no plenário, acompanhado de familiares, para assistir ao desfecho do caso. O promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, responsável pela acusação, destacou que o filho da vítima nasceu após o crime e cresceu sem conhecer o pai, ressaltando que a presença da família trouxe ao julgamento a dimensão humana da tragédia causada por esse homicídio. Com o veredito, o Tribunal do Júri reconheceu as qualificadoras de motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e as forças de segurança agora trabalham para localizar e capturar os dois condenados.