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Bruno França: “Ivan foi traído, emboscado e morto; versão de briga de bar era mentira
A Polícia Civil de Sorriso desmentiu oficialmente a versão inicial de uma suposta briga de bar que teria resultado na morte de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, em março deste ano. Segundo o delegado titular Bruno França, as investigações revelaram que a vítima foi alvo de uma emboscada planejada, motivada por questões passionais, e que a médica envolvida no caso teria tentado destruir provas para dificultar a apuração.
Ivan, morador de Tapurah, foi esfaqueado em uma distribuidora de bebidas em Sorriso e permaneceu internado por 22 dias antes de falecer. Na época, o proprietário do estabelecimento afirmou à polícia que não conhecia os envolvidos e que o episódio se tratava de uma confusão entre dois clientes. No entanto, com a morte da vítima, a Polícia Civil retomou as investigações e descobriu uma trama muito mais complexa.
“A história apresentada pelo dono da distribuidora era falsa. Ivan era amigo íntimo dele e mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa, que é médica. Descobrimos que a médica usou da condição profissional para entrar no centro cirúrgico e pegar o celular da vítima logo após o atendimento”, revelou o delegado Bruno França.
A perícia apontou que o celular da vítima foi apagado, inclusive com a exclusão de vídeos e mensagens importantes para o inquérito. Em depoimento informal, a médica admitiu ter deletado os dados, mas negou envolvimento direto no homicídio.
Ainda conforme o delegado, imagens de câmeras de segurança mostram Ivan sendo atacado pelas costas, sem qualquer discussão prévia, o que desmente a tese de briga espontânea. Além disso, o autor das facadas permaneceu no local após o ataque e conversou por quase dois minutos com o dono da distribuidora, que só socorreu Ivan 11 minutos depois, mesmo com a vítima gravemente ferida e pedindo ajuda.
“O autor e o proprietário do local ficaram juntos após o crime. Ele não chamou socorro e alegou ter acionado a polícia e os bombeiros, mas não há registros dessas ligações. Todos os indícios apontam para a participação dele no homicídio”, afirmou França.
A médica, por sua vez, também passou a ser investigada por fraude processual, por tentar atrapalhar as investigações. Segundo o delegado, Ivan havia pedido que ela não o visitasse no hospital, mas ainda assim ela insistia. Apesar disso, o laudo aponta que a morte foi causada por complicações das facadas, e não há provas, até o momento, de que ela tenha interferido diretamente no tratamento médico.
A motivação do crime, de acordo com a polícia, gira em torno da traição e da possível encomenda da execução. No entanto, a ligação entre o executor que já tem passagem por roubo e o dono da distribuidora ainda está sendo apurada. Quatro dias após a morte, os dois foram vistos reunidos em outro local, em circunstâncias consideradas suspeitas pelos investigadores.
“O que sabemos é que a vítima foi traída, emboscada e morta. E que o responsável pelas facadas estava ao lado do dono do local no momento do crime. Isso já desmonta completamente a tese de desconhecimento ou de briga casual. Foi uma execução planejada”, destacou o delegado.
A Polícia Civil já cumpriu mandados de prisão contra o autor das facadas e contra o proprietário da distribuidora. A médica segue em liberdade, mas com medidas cautelares. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Sorriso, com o apoio do Ministério Público.