Empresário morre após grave acidente com motocicleta esportiva na BR-163 entre Sorriso e Sinop
Sorriso: casal suspeito de bárbaras torturas contra bebês em berçário é indiciado
Ao todo, 33 pessoas foram ouvidas para conclusão do inquérito policial
A Polícia Judiciária Civil de Sorriso concluiu o inquérito contra um casal investigado pelos crimes de tortura com castigo, tortura por omissão, ameaça e perseguição. Ao todo, 33 pessoas foram ouvidas, das quais nove são ex-funcionárias, 17 responsáveis legais e sete crianças.
O casal tem um estabelecimento onde funcionam um hotelzinho e berçário para atendimento a crianças entre zero e 5 anos de idade, no centro de Sorriso, e cobrava valores de até R$948,00 por criança.
A mulher foi indiciada por cinco crimes de tortura e três de maus-tratos, e o homem por um crime de tortura, cinco de omissão perante tortura e um de ameaça contra ex-funcionária. Ambos têm 44 anos de idade.
Donos de creche esfregaram fezes no rosto de crianças
“Duas meninas defecaram, sendo uma na própria roupa e outra na fralda. A proprietária esfregou a calcinha e a fralda suja de fezes no rosto delas. Testemunha narra que a proprietária esfregou a fralda com tanta força e por tanto tempo, que chegou a esfarelar o tecido no rosto delas”, relatou a delegada Jéssica Assis, responsável pelo caso.
Há, ainda, relatos de episódios de criança autista que teve areia empurrada em sua boca, de uma criança hiperativa que era amarrada em um toco debaixo do sol, dentre muitos outros.
Além disso, testemunhas e uma das vítimas relataram a existência de um “cantinho do pensamento”, que consistia em um corredor escuro, que dava acesso ao quarto da proprietária, onde ela trancava as crianças que se comportavam mal e as deixava sozinhas, por até duas horas.
Conforme a delegada, a Polícia Civil pediu a interdição do berçário, mas o Poder Judiciário indeferiu, pois avaliou que não haviam elementos para isso.
Outros relatos apontaram sufocamentos, mordidas, tapas e puxões de orelha conforme narraram as cuidadoras ouvidas na delegacia. Foram diversas sessões de tortura contra um bebê de um ano de idade, que era amarrado pela dona do berçário a um toco, com um cinto, e deixado debaixo do sol por horas, até chorar e adormecer sentado.
Em outra situação narrada à Polícia Civil, uma criança do sexo feminino, de quase dois anos de idade, sofreu violência quando foi imobilizada para que parasse de chorar. A investigada colocou o joelho no peito da criança como tentativa de fazê-la parar de chorar, na presença de várias crianças da creche.
Um depoente ouvida na delegacia relatou que em uma das situações, a dona do berçário jogou água com uma mangueira no rosto de um bebê. Vários relatos apontam o uso de mangueira contra as crianças, em situações e períodos distintos. Uma testemunha disse que havia severas restrições ao uso do aparelho celular no local e que nunca contou os fatos a ninguém porque achava que não acreditariam nela sem filmagens ou fotos.
Uma testemunha que trabalhou como ajudante nos cuidados com as crianças contou que bebês de seis a nove meses eram deixados sozinhos no berço, com mamadeiras na boca, e as cuidadoras eram proibidas de pegá-los no colo para alimentar. As crianças eram chamadas de ‘porcos, nojentos, sebosos, mortos de fome’.
A dona do local tirava comida da panela e não esfriava para as crianças e bebês passavam o dia todo sem trocar de fralda. Já o dono da creche foi relatado que ele puxava as crianças pelas orelhas e as colocava de castigo, sentadas em um canto.
Uma testemunha foi intimidada pela investigada que disse se a denunciasse, saberia que foi ela. A testemunha pediu demissão por não aguentar presenciar o sofrimento das crianças.
“As investigações devem continuar, inclusive, porque diversas mães entraram em contato com a delegacia manifestando interesse em serem ouvidas”, explicou a delegada, acrescentando que a maioria das pessoas foram ouvidas após a prisão do casal, o que se mostrou necessário diante da intimidação feita pelos investigados.
A alegação do casal era de os atos serviam para disciplinar as crianças. Mas, as agressões eram imputadas a outras crianças, pela proprietária da creche, quando questionada pelos pais.