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Fundadores do Grupo Safras acusam fundos de “tomada hostil” e acionam Justiça em São Paulo
Os fundadores do Grupo Safras, conglomerado agroindustrial de Mato Grosso, acionaram a Justiça de São Paulo contra os fundos Agri Brazil Special Situations FIP, Axioma FIP e Alcateia FIP, além das gestoras Yards Asset e FIDD Administração. A ação é movida pelo ex-prefeito de Sorriso, Dilceu Rossato, e pelo sócio Pedro Moraes, que acusam os investidores de praticar uma “tomada hostil de poder”, com descumprimento de contratos e suposta fraude à recuperação judicial da empresa.
De acordo com a petição, em agosto de 2024 foi firmado um contrato de opção de compra que previa aporte de R$ 400 milhões pelos fundos Axioma e Alcateia para reestruturar a companhia. No entanto, os fundadores afirmam que apenas R$ 70 milhões foram de fato aplicados, comprometendo todo o plano de recuperação. Mesmo sem cumprir integralmente a obrigação, os fundos exerceram a opção em julho de 2025, transferindo o contrato ao recém-criado Fundo Agri, que assumiu 60% do controle da Safras por apenas R$ 100 mil valor classificado pelos autores como “vil e incompatível com o real patrimônio do grupo”.
Os fundadores alegam ainda que a transferência foi feita sem a anuência de todos os sócios e sob coação, com documentos supostamente retrodatados e aditivos que nunca teriam sido assinados. Após assumir o controle, o Fundo Agri teria destituído administradores e pedido a desistência da recuperação judicial em curso na comarca de Sinop (MT), medida que, segundo os autores, buscava retirar a empresa da supervisão do Judiciário.
Na ação, os fundadores pedem a anulação das alterações societárias registradas na Junta Comercial de Mato Grosso e a proibição de venda de ativos sem consentimento dos minoritários. Também solicitam a declaração de nulidade dos aditivos contratuais e da cessão de controle ao Fundo Agri. “Não se pode admitir que um grupo deste porte seja dilapidado por uma operação simulada, em prejuízo de credores, empregados e da própria continuidade da atividade”, destacam.
O Grupo Safras entrou em recuperação judicial em abril de 2025, com dívidas estimadas em R$ 2,2 bilhões. O processo chegou a ser suspenso liminarmente em maio, após questionamentos sobre a legalidade de atos societários realizados antes da crise.