Uso de explosivos em roubos é a maior preocupação do Bope
Segundo o comandante José Nildo Oliveira, batalhão está preparado para qualquer ação
Há pouco mais de dois anos sem registrar nenhum roubo a banco na modalidade do “Novo Cangaço” em Mato Grosso, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) diz que uma das maiores preocupações do grupo atualmente é a constância de assaltos com uso de explosivos.
Os crimes nessa modalidade são praticados por quadrilhas fortemente armadas, que invadem as agências bancárias do interior, fazendo moradores reféns, ameaçando e enfrentando policiais.
Só em 2016 foram registrados 74 ataques a bancos no Estado. Destes, 32 tiveram explosões de caixas eletrônicos, de acordo com o Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (Seeb-MT).
Em 2017 já foram contabilizadas 11 ocorrências de explosões a caixas eletrônicos, só nos primeiros 40 dias.
O comandante do Bope, tenente-coronel José Nildo Silva de Oliveira, afirmou que os ataques com o uso de explosivos estão cada vez mais constantes, não somente no interior, mas também na Capital.
“Desde o ano passado está havendo essa constância nas ocorrências envolvendo explosivos. Não estou dizendo que aumentou, nem que diminuiu. O que eu sei é que tem havido muitas ocorrências dessa natureza, desde arrombamentos a caixas eletrônicos a artefatos encontrados abandonados em vias públicas”, disse o comandante.
Segundo ele, a constância desse tipo de ataque se dá em razão da facilidade com que o artefato é conseguido no comércio ilegal.
Dias atrás, uma dupla foi presa em Cuiabá com três bananas de dinamite, um fuzil 762, que é capaz de derrubar até helicóptero, além de diversas munições.
Apesar de os suspeitos não dizerem para que serviriam os artefatos, a polícia suspeita que todo o armamento seria para a prática de algum crime de assalto a banco.
Fiscalizações intensificadas
Apesar das atividades serem baseadas em uma “rotina certa” - voltada somente para atividades de operações especiais de alta complexibilidade, como assaltos com reféns, suicidas, assalto a bancos com explosivos -, o comandante José Nildo diz que o trabalho do Bope está sendo solicitado também para dar apoio no policiamento na Capital.
O canil da unidade é uma das ferramentas que agora estão auxiliando os trabalhos da Polícia Militar durante as blitze e realizando “varreduras” na Capital.
“Nesse último ano nós estamos sendo muito solicitados em operações com o apoio do canil do Bope”, explicou.
“O cão está ajudando no policiamento na Capital, no intuito de fortalecer o policiamento ostensivo e o preventivo. Eles têm um faro ótimo para localizar drogas e armamentos. As varreduras estão sendo feitas nos principais pontos-bases, como praças, bancos e nas blitze”.
O Bope tem oito cães, cada um com funções diferentes, como por exemplo: faro para explosivos, armas, entorpecentes, e busca e salvamento
Preparados para o pior
O oficial ainda afirmou que os 107 operadores especiais que integram o batalhão hoje estão 100% preparados para qualquer tipo de ação.
A par da situação das rebeliões nos presídios do Norte e Nordeste do Brasil, o comandante José Nildo garante que não há necessidade para desespero. Segundo ele, os agentes estão preparados caso aconteça algo do tipo no Estado.
“Nós estamos preparados. Contamos com uma equipe formada por negociadores, atiradores de precisão, equipe de técnicos não-letais, equipe de assalto tático [aquela que faz a entrada para liberar o refém], esquadrão antibombas e o canil”, finaliza o comandante.