GAFFFF Sorriso começa dia 23 e reunirá governadores de todo o Brasil
Engenheiro é esfaqueado por seguranças: “Choro só de lembrar”
Costureiro também foi alvo de dupla que atua em terminal; casos ocorreram com dois dias de diferença
Em um intervalo de dois dias duas pessoas denunciaram que foram agredidas por seguranças do Terminal Rodoviário Engenheiro Cássio Veiga de Sá, em Cuiabá. Com a mesma descrição - agressão seguida de esfaqueamento -, um dos casos foi filmado por testemunhas e mostra a vítima, que precisou ser hospitalizada, apanhando e coberta de sangue.
O caso filmado foi do engenheiro Josimar Rodrigues Procópio Jr., de 35 anos. Ele veio de Belo Horizonte (MG) a Cuiabá visitar a família. Ele mora na Capital mineira desde abril deste ano e havia há pouco tempo sofrido um acidente e passava por sessões de fisioterapia.
Agora, além de se recuperar de uma lesão no joelho - em decorrência de um atropelamento, precisa tratar dos novos ferimentos e das marcas emocionais e psicológicas que o episódio causou.
Josimar conta que depois de desembarcar do ônibus de viagem subiu a rampa do terminal com dificuldade, carregando duas malas. Ele parou próximo a uma cadeira de massagem automática enquanto pedia uma corrida por aplicativo.
“Eu nem cheguei a sentar na cadeira; só encostei nela. Já estava com o aplicativo aberto”, afirmou. A irmã e o cunhado iriam buscá-lo no terminal, mas devido às 2 horas de atraso na viagem, que chegou ao destino às 2h da manhã, ele preferiu ir sozinho até em casa.
“O funcionário de um quiosque chegou e falou: ‘Olha, essa cadeira é do meu patrão, você não pode ficar aí’. Eu peguei uma nota de R$ 20 e pedi se ele poderia trocar para eu poder ficar ali”.
Segundo Josimar, em momento nenhum ele foi hostil com o trabalhador ou se recusou a pagar caso fosse usar a cadeira. Ele explicou que estava com dificuldade de locomoção devido ao acidente e à longa viagem e em resposta recebeu: “Meu caixa é só pra compra e venda”.
Enquanto ainda conversava com o rapaz, três seguranças se aproximaram dele já de forma agressiva. “Já vieram me socando, me chutando. Eu caí no chão e foi onde as pessoas começaram a gravar”, afirmou.
Josimar foi agredido principalmente na região da cabeça, além de ter sido esfaqueado no braço. O corte foi profundo e mede cerca de 15 cm de comprimento e 6 de abertura.
Já passava das 4h quando finalmente Josimar conseguiu ser socorrido. Pelo estado em que estava, os médicos calcularam que ele tenha perdido entre 1 litro e 1,5 litro de sangue.
“Minha única dúvida é: por que aqueles animais me agrediram de forma gratuita? Eu nem conversei com eles, eu estava conversando com o rapaz do quiosque”, explicou.
Agressão gravada
Uma das imagens mostra o final das agressões. Nelas, Josimar aparece caído no chão sendo agredido por dois seguranças, um de camiseta azul clara e outra cinza. O segurança de blusa preta está em pé observando a cena.
O engenheiro grita: “Esse telefone é meu, tira a mão”. Quando percebe que estão sendo filmado, ele pergunta: “Tá gravando? Olha o que eles fizeram comigo”.
Nesse momento, o segurança de blusa azul chuta a mão de Josimar, que segura um celular. O aparelho cai no andar de baixo.
Depois de perceberem que estavam sendo filmados, os seguranças se afastam da vítima que já estava ferida com as lesões pelo corpo e a perfuração no braço.
Josimar conversa com o rapaz que filma a cena e o homem, que era um dos passageiros do mesmo ônibus em que ele veio, se disponibiliza a testemunhar em seu favor.
Nesse momento, Josimar pede para chamarem o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Enquanto ele segura a nota de R$ 20 com uma das mãos, o braço sangra por todo o terminal com a ferida aberta.
Fuga e descaso
Josimar denuncia que o primeiro policial a atender a ocorrência não registrou o caso e ainda assinou o termo de dispensa de atendimento médico em seu nome e sem sua autorização.
“A impressão que eu tenho é que eu estava ali como uma vítima e virei o culpado. A polícia, que deveria fazer o papel de me proteger, chegou ali me xingando, no chão, como se eu estivesse errado”, afirmou.
Depois disso, Josimar continuou no terminal solicitando a presença do Samu e, depois de mais de uma hora de espera finalmente foi socorrido. Outros vídeos o mostram conversando com um dos médicos explicando que não autorizou a dispensa médica.
Josimar foi encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá e aí sim o boletim de ocorrência foi registrado, às 4h40.
No dia seguinte, acompanhado pelo cunhado, o engenheiro voltou ao terminal para reaver seus pertences, que foram deixados em um guarda-volumes. Para sua surpresa vários itens foram furtados enquanto esteve hospitalizado, de perfumes a notebooks e outros itens pessoais.
“Se eu for fazer um apanhado total, fui espancado, hostilizado pela Polícia e furtado”, disse.
Não foi a primeira vítima
Dois dias antes de Josimar, o costureiro Márcio Rodrigues Reis, de 32 anos, também foi agredido na rodoviária.
Ele conta que na noite de sexta-feira (16) por volta das 23 horas, voltava do serviço no Manso e precisava sacar dinheiro.
Pelo horário, se lembrou que havia um caixa 24h no terminal e decidiu ir até lá. Quando chegou, os caixas dentro do terminal estavam fechados com uma grade. Ele, então, decidiu pular a grade para sacar o dinheiro.
Ao pular de volta, um segurança o acompanhou e os dois chegaram a conversar cordialmente. Márcio chegou a questionar o motivo de o portão estar fechado.
Em certo momento o segurança gritou para outro: “É esse ai”.
Segundo Márcio, que registrou um boletim de ocorrência nesta segunda-feira (19), nesse momento foi derrubado, agredido e quase esfaqueado pelo homem.
Márcio conta que a esposa o esperava no carro e os seguranças só pararam quando ele se aproximou do seu veículo. Ele ficou com uma lesão superficial na barriga e com a camiseta perfurada na mesma região.
“Eles não queriam me riscar, queriam me furar. Se tivessem feito como fizeram com o outro rapaz eu nem estaria aqui falando com você”, afirmou.
Tanto Márcio quanto Josimar pretendem representar criminalmente para que o caso seja investigado.
Outro lado
Segundo a Sinart, empresa concessionária do terminal rodoviário, a empresa desconhecia, até então, o caso de Márcio. Mas alegou ter conhecimento do caso de Josimar e já estar tomando as devidas providências para apurá-lo.
“De imediato lamenta o ocorrido e destaca que não compactua com nenhum tipo de situação, quer ocorra de forma pontual ou recorrente, que envolva a pratica de violência física nos Terminais Rodoviários sob sua Concessão”.