Sobrevivente de atropelamento e motorista são indiciadas por mortes
O indiciamento consta em despacho assinado pelo delegado Christian Cabral
Sobrevivente do atropelamento que matou Myllena de Lacerda e Ramón Alcides Viveiros, de 22 e 25 anos, em 23 de dezembro do ano passado, Hya Girotto responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, com pena de um a três anos de reclusão. O indiciamento consta em despacho assinado pelo delegado Christian Cabral.
A motorista que atropelou os três jovens teve o indiciamento original alterado e deve responder por dois crimes de homicídio comum, com pena de seis a 20 anos, e lesão corporal culposa no trânsito, com pena de dois a cinco anos, pelo atropelamento de Hya.
De acordo com o relatório da conclusão do inquérito da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), o comportamento imprudente da jovem teria causado situação propícia para o acidente.
O acidente aconteceu em frente a boate Valley Pub, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá. No despacho, Chistian explicou que Myllena e Ramón estavam a menos de dois metros de concluir a travessia com segurança, quando Hya voltou para o meio da avenida e começou a desenvolver uma "performance de dança".
De acordo com o delegado, as duas vítimas viraram de costas para ver o comportamento de Hya e não perceberam quando o carro dirigido pela professora de Biologia da UFMT, Rafaela Screnci Ribeiro, 33, surge em alta velocidade.
O titular da Deletran determinou que Rafaela e Hya sejam interrogadas novamente antes do indiciamento ser oferecido ao Ministério Público Estadual (MPE), que deve determinar se ambas serão denunciadas. Para o delegado, a única sobrevivente do acidente teria contribuído para que o atropelamento acontecesse ao assumir conduta imprudente.
Na época, câmeras de segurança de um prédio ao lado da boate registraram o momento em que Hya começa a dançar no meio da avenida, os amigos da jovem chegam a retirá-la do local algumas vezes. Também é possível perceber quando um carro passa a poucos metros dela.
Em seguida é possível ver quando Ramón e Myllena atravessam a rua de mãos dadas com Hya. Em determinado momento a jovem volta a dançar na pista e os três são atingidos pelo veículo de Rafaela.
O crime
Myllena morreu na hora do atropelamento e Ramón chegou a ficar internado em estado grave, mas não resistiu. O jovem teve traumatismo craniano e faleceu cinco dias após o acidente. Hya Giroto passou 23 dias internada e fez quatro cirurgias, incluindo uma cirurgia cardíaca e no ombro esquerdo.
Rafaela foi detida e liberada sob pagamento de fiança no valor de R$ 9,5 mil, após passar por audiência de custódia. Durante a investigação, a polícia teve acesso a ficha de consumação de professora em uma casa noturna. Segundo o estabelecimento, na lista de produtos consumidos estavam seis garrafas de cerveja.
Como medida cautelar, a mulher teve a Carteira de Habilitação (CNH) recolhida, deve comparecer mensalmente em juízo e se recolher rotineiramente nos períodos noturnos e aos finais de semana.