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Caso de suposto furto de energia em Sorriso: delegado explica por que pai e filho foram liberados
Apesar da acusação de ligação clandestina feita pela Energisa, Polícia Civil instaurou inquérito e decidiu não manter prisão em flagrante
Na última segunda-feira (29), um pai e seu filho, proprietários de um restaurante em Sorriso, foram conduzidos à delegacia acusados pela Energisa de furto de energia elétrica. A concessionária afirmou que durante vistoria encontrou irregularidades como ausência do medidor e indícios de desvio no fornecimento. O prejuízo estimado seria de aproximadamente R$ 16 mil.
O caso ganhou repercussão após a concessionária reforçar a gravidade da prática. O furto de energia é um crime que sobrecarrega o sistema e prejudica toda a sociedade. Nossa atuação conjunta com as forças de segurança busca garantir que os responsáveis sejam penalizados e que a energia seja distribuída de forma justa e segura para quem paga suas contas regularmente”, declarou o representante da Energisa.
Delegado optou por não converter em prisão
O delegado Bruno França, que atendeu a ocorrência em regime de plantão, explicou em entrevista que a situação não era tão clara como a concessionária relatava.
Segundo ele, embora o crime de furto de energia seja considerado de natureza permanente ou seja, permite prisão em flagrante a qualquer momento , havia divergência nas versões apresentadas.
A concessionária alegava ligação clandestina, enquanto os suspeitos apresentaram documentos e protocolos registrados no Procon, indicando que o medidor teria sido trocado pela própria empresa. “Os conduzidos mostraram documentos que apontam para um desacordo comercial já em discussão. Não havia como termos certeza absoluta de que estavam de fato furtando energia. Optamos pela regra da liberdade e instauramos inquérito para investigação mais profunda”, afirmou França.
Análise técnica será decisiva
O delegado ressaltou que a Polícia Civil não dispõe de conhecimento técnico em engenharia elétrica para comprovar de imediato se houve ou não fraude. A apuração seguirá com perícia especializada e ficará a cargo do delegado Paulo.
“É um caso atípico. Para não cometer uma injustiça, entendemos que seria precipitado decretar prisão em flagrante sem provas conclusivas. Agora caberá à investigação técnica verificar se a Energisa tem razão ou se realmente há apenas um conflito comercial”, explicou.
“Gato” continua sendo crime permanente
Mesmo reconhecendo o caráter excepcional do caso, Bruno França reforçou que o chamado “gato” de energia continua sendo crime grave. “Quem for flagrado desviando energia elétrica pode ser preso em flagrante, já que a energia tem valor econômico. O que muda é que, neste episódio específico, não havia provas claras no momento da condução”, alertou.
Os dois suspeitos foram liberados após prestarem esclarecimentos, mas permanecem investigados. Caso fique comprovado o desvio, poderão responder judicialmente por furto, previsto no artigo 155 do Código Penal, cuja pena pode chegar a quatro anos de detenção.