PF pede mais prazo e quer ouvir deputado e empresário da JBS
Wellington Fagundes é acusado de ter recebido R$ 300 mil via caixa 2 na campanha eleitoral de 2014
A Polícia Federal pediu mais prazo para concluir o inquérito que investiga o senador Wellington Fagundes (PL) pela prática de caixa 2 nas eleições de 2014.
Fagundes é acusado de ter recebido R$ 300 mil, fora da contabilidade oficial, para a campanha ao Senado. O caso foi delatado pelos empresários Joesley e Wesley Batista, sócios da JBS.
No pedido à Justiça Eleitoral, a PF informou que é necessário realizar oitivas do deputado federal Neri Geller (PP), de Joesley Batista e de Ricardo Saud, ex-executivo da JBS "para obter maiores elementos acerca dos fatos descritos".
Essa é quarta vez que a PF pede mais tempo para concluir as investigações. A primeira solicitação foi feita em maio do ano passado. A segunda, em outubro e a terceira em janeiro deste ano.
Em outubro do ano passado, o juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira negou recurso do senador para decretar o sigilo do inquérito.
No recurso, Fagundes alegou que por ser "pessoa pública, com forte exposição na mídia", a investigação da PF pode o submeter a "riscos de constrangimentos desnecessários, que em nada contribuiriam para o deslinde do feito".
O magistrado rebateu o senador, afirmando que o inquérito policial não investiga fatos que, por sua própria natureza, pudessem gerar constrangimentos “além daqueles inerentes a qualquer procedimento de investigação criminal”.
Suposto caixa 2
O dinheiro teria sido recebido por Wellington por meio de Neri Geller, então ministro da Agricultura e atual deputado federal
Segundo os delatores, foi Florisvaldo de Oliveira, o "homem da mala da JBS", que entregou o montante no gabinete do então ministro.
O repasse a Fagundes teria se dado no dia 5 de setembro de 2014.
Nesse período, ele já estava em campanha ao Senado, disputando a única vaga por Mato Grosso.
Em sua prestação de contas feita à Justiça Eleitoral não constam depósitos feitos pela empresa. Ao todo, ele declarou ter arrecadado R$ 8,7 milhões.