Perri nega liberdade a golpista após 'fazenda fantasma' como fiança
Walter Dias Magalhães Júnior foi alvo da Operação Castelo de Areia
Entre idas e vindas envolvendo a situação jurídica do estelionatário Walter Dias Magalhães Júnior, com decisões favoráveis e contrárias ao pedido de liberdade feito por sua defesa, além de atritos entre a 7ª Vara Criminal de Cuiabá e 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o desembargador Orlando de Almeida Perri proferiu um novo despacho e decidiu que o réu continua preso em Cuiabá.
Walter foi alvo da Operação Castelo de Areia deflagrada em 26 de agosto de 2016 acusado de chefiar uma quadrilha que aplicava golpes milionários em empresários e agropecuaristas de várias partes do Brasil. O vereador cassado, João Emanuel Moreira Lima, também foi preso na operação acusado de integrar o esquema e ser comparsa de Walter Magalhães. Conforme a Polícia Civil, um dos golpes aplicados envolve a quantia de R$ 50 milhões.
A polêmica envolvendo a situação do réu surgiu após a juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, se recusar a expedir o alvará de soltura para ele deixar o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC).
Ela ficou responsável por emitir o alvará de soltura do réu depois que ele pagasse a fiança de R$ 6,1 milhões imposta pela 1ª Câmara Criminal em novembro. Acontece que o réu ofereceu uma fazenda em nome de outra pessoa localizada no município de Jaciara (144 Km ao sul de Cuiabá) para ser hipotecada como fiança. A juíza Selma Rosane identificou irregularidades envolvendo a documentação do imóvel e determinou uma série de medidas para averiguar irregularidades na documentação que cedia o imóvel para ser usado como garantia da fiança.
Ela também apontou fortes indícios de fraudes no documento da fazenda que estava registrada em 2 cartórios diferentes e pediu perícia no imóvel. Nesse período a defesa de Walter acusou a juíza de descumprir uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e voltou a recorrer ao TJ para os desembargadores responsáveis pelo caso, determinassem a soltura do réu.
No dia 13 deste mês, Orlando Perri, atendendo a um pedido do advogado Jorge Godoy, determinou a soltura de Walter Magalhães. No dia seguinte, em 14 de março, a juíza Selma Rosane proferiu nova decisão negando a liberdade do réu e esclarecendo que a fazenda Santa Fé em nome de Denisson Seabra, oferecida como fiança, simplesmente não existe no município de Jaciara.
Conforme os autos, subsidiado por relatórios e fotos coletados e produzidos pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) que esteve in loco na região de Jaciara onde estaria o imóvel, o réu ofereceu uma “fazenda fantasma” para ser hipotecada como fiança no valor de R$ 6,1 milhões.