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Médica se declara inocente e diz que fato de ser rica a prejudicou
Letícia Bortolini usou seu Instagram para se manifestar após decisão que determinou júri popular
A médica Letícia Bortolini afirmou que vai recorrer da decisão que determinou que ela seja submetida a júri popular. Ela afirma não ser assassina e diz que sofreu um acidente. Ela alegou ainda que seu caso ganhou muita repercussão pelo caso de ser uma pessoa rica.
Bortolini é acusada de atropelar e matar o verdureiro Francisco Lucio Maia, em 2018, na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá. Conforme a decisão de pronúncia, houve provas da materialidade e indícios suficientes da autoria delitiva de homicídio qualificado.
Após a decisão, a médica usou seu Instagram, nesta terça-feira (9), para se pronunciar pela primeira vez em um vídeo de quase 10 minutos sobre o caso e reforçou sua inocência. “O que eu sofri é um acidente de trânsito, que pode acontecer com qualquer pessoa às 7 da manhã, da noite, às 3 da manhã, ao meio-dia. Todo dia quem dirige está sujeito a um acidente de trânsito. Tenho direitos, todos nós temos [...]. É óbvio que eu vou recorrer”, afirmou.
Em seu desabafo, Bortolini afirmou que amigos próximos e familiares insistiram para que ela falasse publicamente para não ficar “só tomando pancada”, algo que ela alega que sofreu da mídia desde o atropelamento.
Ela afirmou que na época dos fatos esteve muito próxima de dar a sua versão sobre como ocorreu o acidente, porém foi cobrada por um veículo de imprensa e, por isso resolveu se calar. Segundo a médica, o caso tomou proporções diferentes justamente pela sua profissão e por ser rica.
“[As pessoas] sabem que meu caso é diferente porque sou médica, porque sou rica, é diferente quando tem dinheiro. A gente é tratada diferente, porque existe uma guerra entre rico e pobre nesse País”, disse.
“Parece que quando pode pegar um rico e colocar na cadeia, todo mundo vence, todo mundo fica feliz, mas a gente tem direitos e os meus direitos estão sendo tolhidos desde o dia do acidente”, acrescentou.
“Não sou assassina”
Apresentando sua versão do que ocorreu naquela madrugada, a médica afirmou que voltava de uma festa, mas não havia ingerido bebida alcóolica no local. De acordo com ela, consta nos laudos do processo que Francisco estava embriagado.
“O senhor Francisco não estava na rua, ele entrou na rua no exato momento que meu carro passou. Ele também, provavelmente, não entrou porque quis. Caiu em cima do meu carro, porque ele estava completamente embriagado, isso foi comprovado, está nos autos. Não estou falando nenhuma mentira”, afirmou.
Ela declarou que não viu uma pessoa após ter atropelado o verdureiro, pois tudo ocorreu “em uma fração de segundos”. Como só ouviu o barulho do choque, não parou no local para prestar socorro e seguiu até em casa.
“Eu não vi uma pessoa. Como você vai parar quando ouve um barulho de um ferro e vê o retrovisor caindo? Não vi e a minha atitude não foi parar, foi ir até em casa e descobrir o que estava acontecendo. Isso não me torna bandida, assassina”, acrescentou.
Apesar da alegação da Justiça, que disse ter provas materiais sobre a autoria delitiva, Bortolini disse que há falta de indícios no processo que tornem o acidente em homicídio qualificado. Ao final do vídeo ela declarou que depois da decisão percebeu que a Justiça não está sendo feita e afirmou que vai continuar lutando para provar sua inocência.
“Vou continuar lutando pela minha liberdade porque sou inocente. Sou uma pessoa idônea, de caráter, que se envolveu em um acidente que qualquer pessoa pode se envolver a qualquer hora”, finalizou.