Ex-secretária afirma que indicações mataram na pandemia; veja depoimento
O relato faz parte da investigação feita pelo Ministério Público Estadual
A indicação política de pessoas para ocuparem cargos na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) colocou vida de usuários em risco. Além de atender a interesses que não eram os da sociedade, a falta de qualificação dos servidores pode ter contribuído para aumento das mortes por covid-19 durante a pandemia que já dura desde o ano passado.
Em depoimento obtido pelo GD, a ex-secretária de Saúde de Cuiabá, Elizeth Lúcia Araújo, relata como essas contratações eram prejudiciais à sociedade. O relato faz parte da investigação feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil sobre irregularidades na gestão do prefeito Emanuel Pinheiro.
Os supostos crimes são apurados na Operação Capstrum que o afastou do cargo na terça-feira (19). Na oitiva, o representante do MPE pergunta se essas pessoas sem qualificação poderiam ter contribuído para o aumento do número de mortos na pandemia e também prejudicado o andamento da vacinação contra covid-19, ao que a ex-secretária responde categoricamente que “sim”.
“Se você tem uma enfermeira que ainda não está qualificada para sala de vacina, ela pode ter dificuldade em aplicar. Se você pega um médico recém-formado e o coloca em uma UTI, ele pode não saber reanimar, intubar. Uma recepcionista que não tem qualificação para acolher a pessoa. Ela vê alguém ligado a fulano de tal e o atende na frente de outroa, aquela pessoa pode ter infarto na recepção sem que seja atendida no tempo correto”, exemplifica no depoimento.
Durante o depoimento, ela é diretamente questionada sobre como essas indicações de pessoas sem qualificação, em áreas sensíveis da saúde, afetavam a população e ela enumera os inúmeros danos.
"Você tem problema na oferta e qualidade de serviço. Tem dificuldade em atender a população com equidade e isonomia. Tem relatos de setores em que o servidor atendia a demanda do vereador X na frente dos outros. Isso pra mim era muito grave”, conta a servidora.
Segundo ela, a solução que tentou implementar na época foi dar preferência a profissionais de carreira em cargos que tinham mais contato com a população. Setores mais delicados.