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Em 4 meses, acidentes de trabalho resultam em 10 mortes em Mato Grosso
No fim de semana, 5 trabalhadores morreram, em Nova Mutum, após cabo de aço que segurava um guindaste se romper
Em 2021, Mato Grosso registrou mais de 10 mil acidentes de trabalho.
Destes, 101 resultaram em mortes de trabalhadores.
O número é maior que o verificado em 2020, quando ocorreram 98 mortes e, em 2019, com 93 vítimas fatais.
Neste ano, somente nos últimos quatro meses, 10 pessoas morreram em acidentes de trabalho registrados em diferentes municípios do Estado.
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Cinco desses óbitos ocorreram no último fim de semana, em Nova Mutum (267 km ao Norte de Cuiabá).
A tragédia acontece na sexta-feira (14), quando cinco funcionários de uma empresa terceirizada, que prestava serviços para a indústria de etanol, a Inpasa, perderam a vida após um cabo de aço que segurava um guindaste, onde trabalhavam, se romper.
Os trabalhadores despencaram de uma altura de cerca de 15 metros.
O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para o resgate das vítimas, que foram levadas para o Hospital Regional do município.
Um dos funcionários, Fernando Pereira Lima, 34 anos, morreu no hospital, no mesmo dia do acidente.
Os outros quatro, identificados como Wanderson Lacerda de Castro, 26; os irmãos Jairo da Silva Lago, 20, e Fausto da Silva Lago, 26 anos, além de Atalibio Lacerda dos Santos, de 32, também não resistiram e morreram no sábado (15).
De acordo com os bombeiros, a gaiola estava sendo içada por um guindaste, quando o cabo de aço se rompeu e os funcionários caíram.
As causas do acidente de trabalho são apuradas.
A empresa informou que brigadistas socorreram rapidamente os feridos, em nota, a indústria de etanol “lamentou profundamente o ocorrido e disse que segue acompanhando a apuração dos fatos e oferecendo suporte aos familiares”.
No dia 4 deste mês, um trabalhador braçal, identificado como Valdir Aparecido de Melo, 51 anos, morreu numa zona de mata em Juína (735 km ao Noroeste de Cuiabá), após sofrer um corte de facão próximo do pescoço.
Na ocasião, a polícia informou que dois colegas de trabalho estavam a cerca de 100 metros da vítima e a ouviram gritando por socorro.
Ao se aproximarem, notaram que o homem tentava respirar e apresentava um ferimento perto do pescoço.
A dinâmica observada no local, inicialmente, aponta para uma morte acidental.
O rapaz estaria manuseando um facão e acabou se ferindo, sofrendo um pequeno corte no pescoço, que foi suficiente para causar perda excessiva de sangue e a sua morte.
O incidente fatal é apurado pela Polícia Civil.
Em agosto passado, dois trabalhadores de 26 anos morreram soterrados na tarde dessa terça-feira (16), em um armazém de grãos em Novo Mundo (785 km ao Norte de Cuiabá).
Segundo a polícia, Rafael Nascimento e Flávio Santos trabalhavam em uma obra no armazém quando o acidente aconteceu.
Quando os policiais chegaram ao local, suspendeu o trabalho de uma escavadeira que fazia a retirada de terra no local provável em que as vítimas estavam devido ao risco de um novo desmoronamento.
Depois de eliminar os riscos, a polícia utilizou a própria escavadeira para retirar uma grande quantidade de terra até chegar aos corpos.
As vítimas estavam há cerca de seis metros de profundidade e a cerca de 13 metros abaixo da construção.
No fim de julho passado, um homem de 42 anos, identificado como Eleandro Henrique da Silva, morreu após ser esmagado por uma betoneira, enquanto fazia a limpeza do equipamento em uma indústria, no bairro Residencial Coxipó, em Cuiabá.
Já em junho deste ano, Adeilson Oliveira Sousa, 22 anos, morreu após cair dentro de um silo com grãos, em uma empresa de beneficiamento onde trabalha na BR-163, sentido Camping Clube, em Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá).
Os bombeiros também foram chamados e, no local, utilizou uma escada e outros equipamentos para retirar o trabalhar do meio da carga com várias toneladas e desce-lo até o pisto. Porém, ao ser retirado ele já estava em óbito.
AUDIÊNCIA - O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) promove, nesta quarta-feira (19), em Cuiabá, uma audiência pública para debater a importância da regularização das notificações de acidentes de trabalho.
A iniciativa integra projeto nacional do MPT e é voltada, em especial, aos integrantes do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho das maiores empresas do Estado, além outros representantes das entidades empresariais e sindicais.
No Estado, os dados apontam que, apenas no ano de 2021, foram registrados mais de 10 mil acidentes de trabalho.
Destes, 101 resultaram em mortes de trabalhadores.
O número é maior que o verificado em 2020, quando ocorreram 98 mortes e, em 2019, com 93 vítimas fatais.
Entre as cidades que notificaram mais acidentes de trabalho estão Cuiabá, com 1.725 (16%), seguida por Rondonópolis, com 769 (7%), Sinop com 713 (7%), Tangará da Serra, com 550 (5%), Várzea Grande, com 514 (5%), Lucas do Rio Verde, com 492 (5%) e Sorriso com 442 casos.
No ranking dos estados que mais contabilizaram comunicações por acidentes de trabalho em 2021, Mato Grosso ocupa a 11ª posição.
Conforme o procurador do Trabalho Bruno Choairy, o número, apesar de elevado, é inferior à realidade, em razão da subnotificação que ocorre devido à irregular alimentação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e à falta de emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
“As notificações de agravos relacionados ao trabalho possibilitam a produção de informações para identificar do que morrem e adoecem os trabalhadores, mostrando-se essencial para viabilizar a elaboração de estratégias de atuação no campo da promoção, da prevenção, controlando e enfrentando, de forma estratégica, integrada e eficiente, os problemas de saúde coletiva relacionados com o trabalho, permitindo desenvolver um diagnóstico para subsidiar e orientar políticas públicas para a saúde dos trabalhadores”, disse Choairy, por meio da assessoria de imprensa.
A estimativa é de que exista uma subnotificação de 5,9% dos casos.
Ainda segundo a assessoria, foram expedidas, para a audiência pública, mais de 50 notificações, encaminhadas a frigoríficos, empresas de vigilância, hospitais, sindicatos, federações, entre outros.
O evento vai ao encontro da Agenda 2030, do Desenvolvimento Sustentável, que em sua meta 8.8 destaca a necessidade de promover ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os trabalhadores.
Estimativas globais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que a economia perde cerca de 4% do Produto Interno Bruto em razão de doenças e acidentes de trabalho.
Além das perdas humanas, há ainda a queda da produtividade, ocasionada por ambiente de trabalho inseguros ou insalubres.
De acordo com dados do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho do MPT, no período de 2012 a 2021, o país gastou mais de R$ 119,5 bilhões com afastamentos acidentários.
O valor, no entanto, não abrange custos de natureza administrativa, judiciais e despesas para o sistema de Saúde.