Namorado diz que garota não o viu colocando carregador na arma
À Polícia Civil, adolescente de 16 anos afirmou que municiou arma enquanto namorada estava de costas
O adolescente de 16 anos, namorado da garota que segurava a pistola que matou a Isabele Guimarães Ramos, afirmou à Polícia Civil que a jovem não presenciou o momento em que ele colocou o carregador com munição na arma.
Ele foi quem levou a pistola – de propriedade do pai - até a casa da namorada no condomínio Alphaville, no dia 12 de julho, data da tragédia. Isabele morreu após ser atingida com um tiro no rosto disparado pela arma.
O namorado prestou depoimento ao delegado Wagner Bassi Junior, titular da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), no último dia 21 de agosto.
De acordo com termo de declaração obtido pelo MidiaNews, o adolescente foi questionado pelos policiais se a namorada o havia visto inserindo o carregador na arma quando a deixou na sala da casa da família Cestari. Ele afirmou que não.
“O declarante responde conforme o que já havia explicado na reprodução simulada dos fatos, ocorrida em 18/08/2020, que ela não viu, pois apesar de estar no mesmo ambiente, ela estava à frente e de costas, na direção da porta da sala e ela estava sem campo de visão para com o declarante, além de estar distraída", consta em trecho do documento.
Este é o segundo depoimento do garoto à Polícia Civil. O primeiro foi realizado no fim de julho. Na ocasião, o adolescente confirmou ter levado a arma à casa da namorada.
Ele falou ainda que o carregador estava inserido na pistola, mas não havia bala na câmara. Ou seja, para que houvesse um disparo, a arma teria que ser manobrada e não somente apertado o gatilho.
Segundo depoimento
A defesa do adolescente, patrocinada pelo advogado Valber Melo, fez um pedido para que ele fosse ouvido novamente para esclarecer sobre mensagens apagadas de seu celular.
Isso porque, conforme análise da Polícia Civil no celular do adolescente e de seu irmão, diversas mensagens trocadas pelo aplicativo WhatsApp foram apagadas nos dias subsequentes ao da tragédia.
No depoimento do último dia 21, o adolescente mostrou os arquivos apagados ao delegado e afirmou que eles se restringem a mensagens encaminhadas ao irmão relativas a um grupo de atiradores do qual fazia parte.
"O declarante explica sucintamente o que foi expresso para ficar entendível o texto, mostrando inclusive as imagens dos textos e áudios restaurados do grupo para a autoridade policial nesta ocasião; que o declarante esclarece que está no grupo de WhatsApp referente a tiro esportivo; que o declarante viu a discussão no grupo em torno do episódio ocorrido na residência dos Cestari [namorada] e compartilhou com o seu irmão", consta em trecho depoimento.
O caso
Isabele Ramos foi atingida com um tiro no rosto, por uma arma que estava sendo segurada pela melhor amiga, também de 14 anos.
À Polícia, a adolescente que atirou disse que foi em busca da amiga no banheiro do seu quarto levando em mãos duas armas.
Em determinado momento, as armas, que estavam em um case, caíram no chão. “A declarante abaixou para pegar os objetos, tendo empunhado uma das armas com a mão direita e equilibrado a outra com a mão esquerda em cima do case que estava aberto", revelou a menor em depoimento.
"Que em decorrência disso, sentiu um certo desequilíbrio ao segurar o case com uma mão, ainda contendo uma arma, e a outra arma na mão direita, gerando o reflexo de colocar uma arma sobre a outra, buscando estabilidade, já em pé. Neste momento houve o disparo", acrescentou.