MT é o quinto Estado com maior concentração de violência sexual contra crianças
O número faz parte de um estudo divulgado pela Fundação Abrinq
Mato Grosso é o quinto Estado com maior concentração de violência sexual contra crianças. O número faz parte de um estudo divulgado pela Fundação Abrinq “A Criança e o Adolescente nos ODS - Marco zero dos principais indicadores brasileiros - ODS 1, 2, 3 e 5” mostrando a situação atual das crianças e dos adolescentes.
Os dados do Ministério da Justiça apontam, por exemplo, que, somente em 2015 o Estado registrou 328 abusos sexuais contra meninas. Além de 122 casos de exploração sexual, 275 de violência física e 618 de negligência.
Os percentuais de casos ficam em Roraima (85,7%) e Acre (78,9%). Além de Pará (76,3%), Goiás (75,8%) e Mato Grosso (74,2%). No quesito exploração sexual em Roraima 100% das denúncias são de meninas. Em seguida aparecem o Estado do Acre (94,7%), Goiás (74,9%), Mato Grosso (73,5%) e Pará (71,6%).
A pesquisa mostra ainda que as denúncias de negligência e violência física têm média menos concentrada do que as violações sexuais, mas, ainda assim, respondem por percentuais que ultrapassam a metade do universo de denúncias do ano. Em média, 44% das denúncias de violência física atingem pessoas do gênero feminino. Em Mato Grosso os registros alcançam 42,8%. Também com grande concentração estão Pará (47,9%), Goiás (45,8%), Acre (43,8%) e Roraima (40%).
Os casos de negligência com vítimas do sexo feminino reúnem média de 47,6% entre os estados com o maior número de ocorrência, alcançada apenas por Roraima (50,7%), Acre (48,6%) e Pará (48,4%). Já os estados de Goiás (46,7%) e Mato Grosso (44%) situam-se abaixo dessa média.
Já em relação à violência contra menino Mato Grosso registrou 10,6% de abuso sexual, 4,2% de exploração sexual, 46,1% de violência física, 37,2% de negligência. Em números reais, no Estado de Mato Grosso foram registrados 47 casos de abusos sexuais contra meninos, sete de exploração sexual, 296 de violência física e 522 de negligência.
A pesquisa também aponta que contra os meninos, as violações sexuais são menos concentradas, a média, entre os estados que apresentam as maiores quantidades de denúncias não supera um terço do total de denúncias do ano, sendo de 21,9% para as notificações de abuso sexual e 15,6% entre os casos de exploração sexual. Em relação à abuso sexual os números são de Ceará (21,8%) , São Paulo (22%), Tocantins (23,4%); Rondônia e Rio Grande do Sul 21,4%, cada.
As denúncias de exploração sexual contra meninos têm percentuais em São Paulo (12,6%), Tocantins (10,5%) e Rio Grande do Sul (10%). Já Ceará e Rondônia superam essa média, apresentando um percentual de denúncias dessa natureza de 18,8% e 26,2%, respectivamente.
Segundo a Fundação Abrinq o objetivo do relatório é comparar a situação da infância no Brasil com as metas assumidas pelo País nos ODS da ONU. Desta forma lança o estudo “A Criança e o Adolescente nos ODS - Marco zero dos principais indicadores brasileiros - ODS 1, 2, 3 e 5” mostrando a situação atual das crianças e dos adolescentes. O estudo visa complementar o relatório entregue pelo governo à ONU, mostrando o retrato atual da população de 0 a 18 anos para estabelecer um ponto de partida para o monitoramento do cumprimento das metas associadas a crianças e adolescentes dos ODS 1 (Erradicação da Pobreza), 2 (Fome Zero), 3 (Boa saúde e bem estar), e 5 (Igualdade de Gênero) .
Ao todo, o “Marco Zero” aponta 107 indicadores sociais da infância e adolescência. “Se o País não investir de forma prioritária na promoção dos direitos das crianças e dos adolescentes, nenhum desenvolvimento econômico terá sustentabilidade”, diz Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq. “As crianças de hoje serão os adultos de 2030”, completa referindo-se ao prazo final para o Brasil alcançar as metas dos ODS.