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MPE analisa pedir investigação contra deputada citada por delatora
Investigação será de responsabilidade do Naco, órgão vinculado ao Procurador Geral de Justiça
O depoimento da ex-servidora da Assembleia Legislativa, Marisol Castro Sodré, deve desenrolar uma investigação do Ministério Público Estadual sobre a deputada estadual Janaina Riva (sem partido). O depoimento será remetido ao Naco (Núcleo de Ações de Competências Originárias), responsável por investigações contra autoridades que detém prerrogativa de foro.
O Naco é ligado diretamente ao procurador-geral de Justiça, Paulo Prado. Após receber o depoimento, o órgão deve solicitar ao Tribunal de Justiça autorização para investigar a deputada. “Isso é um fato novo, que caberá ao órgão competente investigar”, disse o promotor Marco Aurélio Castro, coordenador do Gaeco (Grupo de Ação Especial e Combate ao Crime Organizado).
Marisol Castro Sodré, que firmou termo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual, revelou que a deputada recebia “mesada” de R$ 4 mil por mês do gabinete de seu pai, mesmo sem trabalhar na Assembleia Legislativa na época. O ex-marido dela, “Nino Azoia”, também recebia o mesmo valor.
Os valores eram pagos com a verba de suprimentos da Assembleia Legislativa. Por meio de nota, Janaina Riva negou as acusações e anunciou que processará a delatora nas esferas cível e criminal. "Cabe a quem acusa o ônus da prova. Quero ver ela provar que algum dia peguei um centavo sequer da Assembleia Legislativa. Nunca precisei disso, sempre tive os meus negócios", disse.
A verba ainda custeava outros gastos, como atendimentos a saúde, ações sociais e festas de formaturas.
Outras pessoas, segundo a servidora, também se beneficiavam com “ajudas” do gabinete do ex-presidente da Assembleia. Entre as ações estava pagamento de plano de saúde ao colunista social “Jejé de Oya”, morto no início deste ano, dinheiro a vereadores, lideranças comunitárias, imprensa e até a delegados da Polícia Civil.
Um relatório contendo a lista de beneficiados foi entregue pela ex-servidora ao Ministério Público e anexado aos autos do processo da “Operação Metástase – Célula Mãe”.
A operação apura o desvio de cerca de R$ 2 milhões da Assembleia Legislativa por meio da verba de suprimentos. Pelas fraudes, estão presos o ex-deputado José Riva e os ex-chefes de gabinete, Geraldo Lauro e Maria Helena Ribeiro Ayres Caramello.