Marido de médica que atropelou ambulante é hostilizado ao deixar delegacia
Ele estava no carro conduzido pela mulher, que foi detida posteriormente com sinais de embriaguez
O marido da médica Letícia Bortoloni, de 37 anos, que atropelou e matou um vendedor ambulante em Cuiabá, prestou depoimento. Ao deixar a delegacia, o também médico Aritony Alencar foi hostilizado pela família da vítima. Letícia e Aritony deixaram o local do acidente sem prestar socorro à vítima.
Letícia foi presa em flagrante no mesmo dia com sinais de embriaguez, segundo a polícia. Ela passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva.
Na segunda-feira (16), entretanto, a Justiça concedeu liberdade para a médica. A decisão atende a um pedido da defesa dela feito sob a alegação de que os filhos de Letícia precisam do cuidado da mãe.
Letícia e o marido, que também estava no veículo, não prestaram socorro e fugiram do local. Francisco Lúcio Maia, de 48 anos, morreu no local.
Quatro pessoas já foram ouvidas. Outras testemunhas também devem prestar o depoimento.
Como provas, o delegado responsável pelo caso deve solicitar as imagens do condomínio onde o casal mora e os vídeos das câmeras de segurança ao longo do trajeto que os dois fizeram.
Em depoimento à polícia, uma testemunha que presenciou o atropelamento contou que Letícia Bortoloni, de 37 anos, a médica que conduzia o veículo estava em alta velocidade e fazia zigue-zague nas curvas.
Segundo a polícia, ao final do inquérito as cópias dos autos serão encaminhadas ao Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) para que a instituição avalie a postura ética dos dois.
Habeas corpus
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu habeas corpus para a médica. A decisão é do desembargador Orlando Perri.
"No caso dos autos, a despeito das censuráveis condutas imputadas à paciente, com destaque para a odioso, porém, corriqueiro, hábito de conduzir veículo automotor após a ingestão de bebida alcoólica, provocando mortes e incontáveis tragédias, fato é que não ficou evidenciada, a meu sentir, a aduzida periculosidade concreta da paciente, a autorizar a manutenção de sua custódia cautelar", diz trecho da decisão.
Como condição para a liberdade, o desembargador determinou que a médica cumpra medidas cautelares. Entre elas:
Comparecimento mensal em juízo, até o quinto dia útil, para informar e justificar suas atividades;
Não se ausentar da comarca, sem autorização judicial;
Não frequentar bares, casas de jogos, boates e congêneres;
Não portar armas e não ingerir bebidas alcoólicas;
Não fazer uso de substância entorpecente;
Recolher-se em residência no período noturno, finais de semana e nos dias de folga;
Não se envolver em outro fato criminoso.
A filha da vítima, Francenilda da Silva, diz que espera justiça. “Meu pai era um homem de bem. A morte dele é muito dolorida. Ele merece ser reconhecido e que as leis sejam aplicadas de forma correta”, afirmou.
Letícia é proprietária de uma clínica particular, no Bairro Bosque da Saúde, e atua como dermatologista.