Mais de 80% dos bandidos roubam e arrombam para levantar dinheiro para comprar drogas
Apesar da Polícia afirmar que a violência está em baixa, residências e casas comerciais se transformam em verdadeiras penitenciárias
O medo das pessoas continua o mesmo. Mais de 70% das casas de Cuiabá e Várzea Grande (Grande Cuiabá), principalmente das famílias de classe média e alta, e empresas e comércios viraram verdadeiras fortalezas nas três últimas décadas. Há registram de que uma única empresa tenha sido assaltada ao menos 22 vezes. Há também famílias que tiveram suas casas invadidas por mais de uma vez.
Grande pelas janelas e portas, além de cercas elétricas deram um aspecto de prisão às residências. Mesmo assim os bandidos assaltantes ou arrombadores não param de agir e aterrorizar as famílias. Apesar da Polícia anunciar sucessivas baixas na violência, a realidade pode ser bem outra. Em todos os bairros da Capital, pelo menos 70 das casas já foram assaltadas ou arrombadas nos últimos anos.
A Polícia acredita que mais de 80% dos casos de roubos e arrombamentos os bandidos usam o dinheiro para comprar drogas. Mas também existem casos da atuação e quadrilhas "especializadas" e com ligações com o crime organizado e facções criminosas. Uma delas agiu nesta madrugada em Várzea Grande.
"A violência em Cuiabá não para", afirma o senhor Francisco, de 56 anos, morador da Morada da Serra (CPA), na Capital. E ele prossegue: "Já tive minha casa assaltada duas vezes e numa terceira vez os bandidos arrombaram a porta dos fundos quando nós estávamos foram e fizeram uma verdadeira limpeza. Roubaram joias, dinheiro e dólares, além três televisões, duas delas de 60 polegadas, me deixando um prejuízo de mais de R$ 1 milhão".
No bairro Alvorada, em Cuiabá, um escritório de contabilidade e advocacia foi arrombado três vezes para roubar, principalmente computadores. "Tive que encher a empresa de grades e cercas elétricas e contratar dois seguranças que trabalham à noite. Registrei dois casos, como nada foi resolvido pela Polícia, não registrei o terceiro", afirma um advogado que pediu para não ter seu nome citado.
Dona Flora, de 52 anos, que mora no bairro Santa Rosa, tido como um dos mais seguros devido a parafernália de grades, cercas elétricas e vigias (seguranças armados) da Capita, mas que tem negócios no interior do Estado, não esconde sua decepção de ter que morar numa casa vista por fora e por dentro como uma "verdadeira penitenciária".
"Tivemos que aumentar a altura do muro e que colocar grades e cercas elétricas em todos os lugares da casa, até mesmo, pasmem, no telhado. A violência faz mudarmos nossos hábitos todos os dias. Minha filha chamou um Uber, mas ao sair para entrar no carro teve um revólver apontado para a cabeça dela. Com medo o moço do carro fugiu e nós tivemos que entregar alguns objetos para os bandidos que fugiram em uma moto. Agora quando temos que sair de casa o fizemos de modo diferente. Pedimos para o motorista entrar dentro de nossa garagem. Até hoje vivemos em pânico", testemunha.
Agindo em bairros nobres, de luxo, onde os moradores são todos ricos, mas também agindo em bairros pobres ou de classe média, os bandidos não dão trégua. Um policial que pediu para não ser identificado contou o que a Polícia já sabe e a sociedade também. "Existem organizações criminosas que trabalha para facções criminosos, que roubam para investimentos no mudo do crime, Mas posso garantir, que mais de 80 por cento dos casos de roubos e arrombamentos os bandidos usam o dinheiro para comprar drogas. Temos dois problemas a violência dos ladrões e o problema social que é o uso de drogas. É um caso sério", conclui.
UMA REALIDADE - Outra família é brutalizada por uma quadrilha armada e violenta e fica traumatizada. Passavam da meia noite desta terça-feira, 17, quando cinco bandidos invadiram uma casa no Jardim Primavera, em Várzea Grande (Grande Cuiabá). Violentos e fazendo ameaças de matar a todos, inclusive crianças, os ladrões amarraram e trancaram a família em um banheiro.
Segundo a Polícia Militar (PM) apurou após ser acionada quando os bandidos já haviam fugido, os ladrões agiram com muita violência. Roubaram dois carros, inclusive uma Picape branca, e dezenas vários objetos, joias, dinheiro e celulares. Nos primeiros levantamentos, os PMs que atenderam a ocorrência localizaram um dos carros roubados em uma região de mata.
As buscas dos policiais militares prosseguiram por toda a madrugada até o início da manhã desta terça-feira, mas nenhum dos cinco bandidos que invadiram a casa e deixaram uma família aterrorizada foram localizados e presos. O caso njá está sendo investigados por policiais da Delegacia de Repressão a Roubo e Furtos (DRRF) de Várzea Grande. Até o momento ninguém foi preso.