Mãe acusada de matar bebê com indícios de crueldade vai a júri popular
Na época, mulher alegou que a criança tinha caído de uma cadeira
Dezessete anos após ter supostamente assassinado a própria filha, de apenas um ano e seis meses, Maria do Socorro Rodrigues da Cruz e Silva vai a júri popular no dia 21 de julho.
Conforme o processo, no dia 14 de março de 2000, por volta das 14h30, a criança Eduarda da Cruz Silva chegou ao Pronto-Socorro de Cuiabá em óbito, trazida pelos acusados Maria do Socorro e Ilzemar da Silva Santos, que são mãe e padrasto, respectivamente, sob o pretexto de que a menor havia caído de uma cadeira e perdido os sentidos, apresentando em seguida grande volume de secreção nasal e oral.
Foram encontradas inúmeras lesões incompatíveis com o relato do casal, como múltiplas lesões superficiais, grande lesão no rim esquerdo com mais de um dia de evolução e extensão hemorragia consequente. O médico apontou que as lesões poderiam ser atribuídas a maus tratos e eventuais manobras de reanimação, havendo também indícios de crueldade.
Em 2010, houve a suspensão do processo em relação ao padrasto Ilzemar da Silva Santos, e assim, passa-se a analisar a admissão da denúncia em face do suporte probatório colhido somente em face da ré Maria do Socorro Rodrigues da Cruz e Silva.
Em depoimento, Maria do Socorro alegou que nunca viu qualquer pessoa maltratar sua filha, especialmente o companheiro com quem convivia na época, que com ele já havia deixando as três filhas do primeiro casamento. Ela afirmou também que não poderia culpar o seu companheiro pelo falecimento de sua filha e ela como mãe nunca bateu em suas filhas.
O médico que atendeu a vítima no Pronto-Socorro, Dionísio Jose Bochese Andreoni, declarou em Juízo que as evidências são no sentido de que a criança sofria maus tratos, pois havia várias lesões superficiais e de pequena gravidade, isto é, pequenos traumatismo com idades diversas. Havia ainda uma lesão característica de mordedura, algumas lesões que lembram queimadura por ponta de cigarro; o conjunto cria a ideia de uma criança que vinha sofrendo ao longo da sua existência.
O óbito foi causado certamente, conforme o médico, pela ruptura do rim, uma lesão traumática e, diferente das outras, de violência grande que rompeu o rim, dividindo ele em duas partes. O rompimento do rim pode-se atribuir à violência que a criança sofreu, mas um grande golpe e de grande intensidade, e que certamente aconteceu há mais de 24 horas antes do óbito. Segundo o médico, não foi algo que a criança caiu e morreu em seguida, ou seja, sofreu o traumatismo e ficou sangrando até sofrer o óbito.