Trabalhador fica em estado grave após sofrer descarga elétrica de alta tensão em Sorriso (MT)
Áudio revela divergência técnica sobre decisão de rebaixar reservatório da UHE Colíder
Durante um voo de Brasília para Sinop, um funcionário da Copel foi gravado em uma conversa telefônica sobre a decisão da Eletrobrás de rebaixar o nível do reservatório da Usina Hidrelétrica Colíder (UHE Colíder), no norte de Mato Grosso. O diálogo, registrado por um passageiro e obtido com exclusividade pelo site Pauta Livre MT, levanta questionamentos sobre a fundamentação técnica da medida e revela resistência de especialistas que participaram do projeto da usina.
Segundo o relato, a decisão teria se baseado na opinião de um engenheiro específico, sem consenso entre os profissionais que atuaram na obra. Técnicos contestam a justificativa de que haveria risco de colapso em uma suposta cavidade subterrânea sob a fundação da barragem.
“Eles acham isso muito pouco provável, porque o arenito da região é úmido, tem coesão muito alta, não é como o calcário, que é solúvel e pode formar cavernas. No arenito isso não acontece”, afirmou o funcionário no áudio.
De acordo com a conversa, especialistas apontam que, caso houvesse uma caverna, o rebaixamento do reservatório poderia, na verdade, aumentar a pressão sobre a fundação da barragem, gerando riscos adicionais. O funcionário classificou a medida como “uma loucura” e criticou a falta de consideração aos instrumentos já instalados na usina, como extensômetros, que monitoram deformações e fornecem dados mais precisos.
A fala expõe um embate entre técnicos de campo e gestores de alto escalão na condução da segurança da UHE Colíder. Enquanto especialistas locais afirmam que não há base geológica para o risco apontado, a decisão administrativa optou por reduzir o nível da água como medida preventiva.
O caso reacende o debate sobre a gestão de recursos hídricos, transparência nas decisões e segurança energética. A UHE Colíder é estratégica para o fornecimento de energia no norte de Mato Grosso, impactando diretamente municípios como Itaúba, Colíder, Nova Canaã do Norte e outros da região do Nortão.
Outro lado
Procurada, a Copel informou que desconhece “tais declarações” e que segue colaborando com a Eletrobrás na condição de operadora da UHE Colíder.
Já a Eletrobrás afirmou, em nota, que “acerca de áudios aparentemente gravados durante voo comercial em manifestações de profissional ligado à Copel, informamos que a empresa deve ser contactada para esclarecer o conteúdo. A Eletrobrás reafirma que, a partir da aquisição da usina em 30/05/2025, não hesitou em tomar todas as medidas necessárias para buscar uma solução definitiva para que a Usina Colíder possa voltar a operar na condição de normalidade, privilegiando a segurança das pessoas, do meio ambiente e do empreendimento”.