Juíza manda internar menores que jogaram motorista da ponte
Márcia Angola aceitou corrida dos adolescentes, que fingiram ser clientes antes de anunciar o assalto
Os quatro adolescentes envolvidos no sequestro, tentativa de homicídio e roubo do carro da motorista de aplicativo Márcia Angola, de 40 anos, no sábado (24), em Tangará da Serra, tiveram a internação provisória decretada pela Justiça.
A decisão é da juíza Leilamar Aparecida Rodrigues, da 2ª Vara de Tangará da Serra. Os adolescentes - três de 16 anos e um de 17 - serão encaminhãos para unidades socioeducativas de Cuiabá e Rondonópolis.
Os menores já foram ouvidos em audiência com presença do Ministério Público Estadual (MPE) e Defendoria Pública. A brutalidade do crime fez com que Márcia tivesse que fingir estar morta duas vezes, para evitar que fosse assassinada de verdade pelos adolescentes.
Ao MidiaNews, ela contou que na manhã de sábado (24), por volta de 10h30, aceitou um pedido de corrida pelo WhatsApp. Márcia também trabalha como motorista particular.
"Mandaram a localização [pelo Whatsapp], entraram no carro e me falaram o destino. Quando chegamos no local, não tinha nada do que eles disseram. Teoricamente era para ser um clube ou local de festas".
Quando chegaram ao local indicado pelos adolescentes, a motorista percebeu que o estabelecimento que eles disseram estar indo não existia. Alguns minutos depois, um quinto suspeito teria se juntado aos menores e eles anunciaram o assalto.
Márcia foi espancada e chegou a ser jogada da ponte sob o Rio Sepotuba. Foi quando, entre os socos e pontapés, ela decidiu fingir estar morta pela primeira vez. "Cheguei em um ponto que não tinha mais ar e precisei respirar. Eles perceberam. Ouvi eles falando: 'Nossa, ela está viva, vamos terminar de matar, quebra o pescoço dela'. Voltaram a me bater mais ainda. Abaixei a cabeça e fiquei mole, como se estivesse desmaiada de novo".
Apesar de fingir estar inconsciente, Márcia conta que precisou ser forte para sentir a dor das agressões sem emitir nenhum tipo de som. "Me puxaram para fora do carro, cada um me pegou por uma mão e me jogaram da ponte. Caí na água. Quando afundei e voltei, vi que eles estavam olhando. Afundei de novo, bebi muita água, mas não aguentava mais. Quando ergui a cabeça eles já não estavam mais lá".