Juíza desbloqueia 4 terrenos para Riva vender e pagar acordo
Ao todo, delação do ex-deputado estadual prevê devolução de R$ 92 milhões aos cofres públicos
A juíza Célia Regina Vidotti determinou o desbloqueio de 4 imóveis do ex-presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), José Geraldo Riva, para que sejam vendidos e os valores repassados em forma de ressarcimento aos cofres públicos.
"Diante do exposto, defiro o pedido formulado pela defesa do requerido José Geraldo Riva nas referencias 610; 611; 612 e 613 e determino que seja cancelada a ordem de indisponibilidade decretada nesta ação, que recaiu sobre os imóveis objeto das matrículas imobiliárias n.º 740 (Av. 014), doServiço de Registro de Imoveis da Comarca de Colniza-MT; matrícula 4.674(Av. 15); 4.675 (av. 15) e matrícula 4.676 (av. 19), todas do Serviço deRegistro de Imoveis da Comarca de JuaraMT", diz trecho da decisão publicada nesta terça-feira (25).
Riva fechou acordo de colaboração premiada em fevereiro do ano passado, após o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Marcos Machado, ter homologado a delação. Riva teve alguns meses para que pudesse vender imóveis para angariar os R$ 92 milhões que ficou de devolver.
O ex-deputado pagou R$ 15 milhões ainda em fevereiro de 2020, restando ainda 6 parcelas para que cumpra a devolução.
Riva iniciou o seu regime diferenciado de cumprimento de pena, de 2 anos em prisão domiciliar, no dia 5 de outubro de 2020, quando colocou tornozeleira eletrônica. Ele cumprirá pena de 3 anos e 6 meses, e também será obrigado a prestar serviços à comunidade por 8 horas semanais.
Porém, o trabalho voluntário só iniciará em abril de 2024, quando terminar a prisão domiciliar. Como Riva já ficou preso em regime fechado por um ano, a pena em casa será de 2 anos e 6 meses. Riva narrou crimes cometidos entre 1995 e 2015, quando deputados estaduais recebiam valores mensais de propina para votar conforme os interesses do chefe do Poder Executivo.
Fatos novos
Na decisão, o magistrado também revelou que a colaboração de Riva possui documentos e fatos inéditos, que ainda não estão vinculados a inquéritos ou processos instaurados.
Os anexos inéditos deverão gerar novas investigações e até operações policiais, além de revelar novas autoridades envolvidas em esquemas de corrupção. Por isso, permanecerão em sigilo. Já os anexos que tenham ações criminais/civis públicas instaurados deverão ter os seus sigilos levantados.
Em sua delação, Riva descreve um esquema que perdurou nos 20 anos em que atuou como deputado (1995-2014). Na colaboração que ainda está sob sigilo, Riva afirma que houve pagamentos de propina para 38 deputados com o objetivo de apoiarem o governo do Estado. O valor total do esquema chegou a R$ 175,7 milhões.
Nessa mesma época, Riva afirma que foram gastos mais de R$ 38 milhões para a compra das eleições da Mesa Diretora da Assembleia. Ele também revelou compra de vaga no TCE e um esquema para garantir governabilidade nas gestões de Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa (sem partido).