Juíza aceita denúncia contra 15 acusados de roubos a banco em MT
Organização teria lucrado cerca de R$ 5 milhões e atacado pelo menos 10 agência do Estado
A juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra 15 pessoas acusadas de compor a organização criminosa presa na operação Luxus, deflagrada no início de maio pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
De acordo com informações da GCCO, o grupo teria atuado em roubos e furtos de pelo menos 10 agências bancárias em Mato Grosso e atingido um lucro de aproximadamente R$ 5 milhões com assaltos a bancos também em Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.
A decisão da magistrada torna réus Marcus Vinicius Fraga Soares, Gilberto da Silva Brasil, Junior Alves Vieira, Cleyton Cesar Ferreira de Arruda, Thassiana Cristina de Oliveira (esposa de Cleyton), Augusto Cesar Ribeiro Macaubas, vulgo “Gordão”, Jurandir Benedito da Silva, conhecido como “Jura”, Elvis Elismar de Arruda Figueiredo, Diego Silva dos Santos, Hian Vitor Oliveira Cavalcante, Kaio da Silva Nunes Teixeira, Robson Antônio da Silva Passos, vulgo “Robsinho”, Juliender Batista Borges, conhecido como “Juju”, Dainey Aparecido da Costa e Lubia Camilla Pinheiro Gorgete.
Conforme o despacho, Marcos Vinícius Fraga Soares, vulgo “Pato”, e Gilberto Silva Brasil seriam os líderes da suposta “quadrilha”. Enquanto o primeiro atuaria no sentido de arquitetar alguns dos crimes praticados pelo grupo, o outro seria responsável pela organização e gerenciamentos dos atos ilícitos.
A decisão
Segundo a magistrada, as investigações tiveram início com os episódios do roubo ao Banco do Brasil da Avenida Pernambuco, no bairro Morada da Serra II, em novembro de 2016, e furto qualificado à agência do Banco do Brasil de Poconé, ocorrido em fevereiro deste ano.
"Após análise das investigações realizadas nos respectivos inquéritos policiais, em conjunto com as interceptações telefônicas compartilhadas com a GCCO, constatou-se que tais ações não teriam sido realizadas de forma isolada”, escreveu a magistrada.
Ainda de acordo com Selma Arruda, a denúncia do Ministério Público narra que a organização criminosa era tão numerosa que “nem todos os integrantes tem conhecimento de sua dimensão, bem como quem seriam os seus colegas”.
Mesmo assim, as ações praticadas pelo grupo apontariam para um grupo estruturalmente organizado e caracterizado pela divisão de tarefas, “na qual cada um dos seus integrantes teria funções específicas, de maior ou menos intensidade, mas sempre atuando em prol dos interesses do grupo criminoso".
“O Ministério Público detalha na denúncia quais seriam as suas funções na citada organização criminosa, sendo que alguns seriam os responsáveis pela execução operacional dos crimes, enquanto outros por prestar auxílio, material, logístico, moral e na ocultação de armas, ao grupo criminoso nas ações perpetradas. Também teriam sido identificados membros responsáveis pela ocultação de supostos valores arrecadados durante as empreitadas criminosas e por repassar informações sobre o planejamento de possíveis ações criminosas”, completou Selma.
A juíza destacou ainda que a materialidade dos crimes os indícios de autoria deles constam em depoimentos de testemunhas e de alguns dos acusados, bem como em materiais apreendidos durante a operação como pés de cabra, furadeiras e outros equipamentos supostamente usados para arrombar caixas eletrônicos e ainda folhas de cheque.