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Justiça converte prisão de acusado de matar companheira em internação psiquiátrica
Decisão prevê internação em clínica psiquiátrica, uso de tornozeleira eletrônica e realização de exame de insanidade mental.
A Justiça converteu a prisão preventiva de Lucas França Rodrigues, de 22 anos, acusado de matar a companheira Ana Paula Abreu Carneiro de Oliveira, de 33 anos, em agosto deste ano, em prisão domiciliar com internação em unidade psiquiátrica. A decisão prevê que o acusado permaneça em um centro de recuperação mental enquanto aguarda a conclusão do exame de insanidade mental, procedimento que irá definir se ele pode ou não ser responsabilizado criminalmente pelos atos.
De acordo com a defesa, conduzida pela advogada Lúcia de Souza, Lucas apresenta diagnóstico de esquizofrenia, com histórico de alucinações e audição de vozes, sintomas que, segundo a defesa, comprometem sua capacidade de discernimento. Ele já foi encaminhado para uma clínica psiquiátrica particular, onde permanece sob custódia do Estado e monitoramento por tornozeleira eletrônica, em tempo integral.
Na decisão, a juíza Rosângela Zacarkim dos Santos ressaltou que os argumentos apresentados pela defesa especialmente quanto à saúde mental do réu justificaram a instauração do Incidente de Insanidade Mental, mecanismo previsto na legislação para avaliar a imputabilidade penal do acusado. O entendimento é de que a situação clínica exige análise especializada antes da manutenção da prisão em regime fechado.
As investigações apontam que, na véspera do crime, o casal teria discutido após Ana Paula se posicionar contra o envolvimento de Lucas com estudos ligados à escatologia, doutrina que trata do fim dos tempos. Em depoimento, ele relatou à Polícia Civil que, após o homicídio, teria pensado em tirar a própria vida. A delegada Renata Evangelista confirmou que o tema foi citado pelo acusado durante o interrogatório.
No dia do crime, ainda segundo a Polícia Militar, Lucas entrou em contato com o irmão e a cunhada, informando o que havia feito. Imagens do corpo da vítima também teriam sido enviadas por aplicativo de mensagens, o que levou familiares a acionarem a polícia. O caso segue sob investigação e aguarda a conclusão do laudo psiquiátrico, que será decisivo para os próximos desdobramentos judiciais.