Investigação sobre morte de prefeito não descarta crime político
Fonte ligada à apuração da execução revelou que caso é "mais amplo do que se imagina"
Autoridades que investigam o assassinato do prefeito de Colniza (1.065 km a Noroeste de Cuiabá), Esvandir Antonio Mendes, de 61 anos, ainda não descartaram a possibilidade de o crime ter motivação política.
Uma fonte ligada à apuração do caso afirmou que essa linha ainda é considerada, embora, a princípio, tenha sido divulgado que Mendes fora morto por causa de uma dívida.
O prefeito foi assassinado no último dia 16, um dia antes da sessão da Câmara que poderia cassar seu mandato. Ele era acusado de uso ilegal de recursos da iluminação pública e de irregularidades na folha de pagamento de servidores.
Até o momento, três pessoas foram presas por suspeita de participação no crime. São elas: Antônio Pereira Rodrigues Neto, Zenilton Xavier de Almeida e Welisson Brito Silva.
A Polícia Civil afirmou, no sábado (17) - um dia após o crime -, que Antônio, que é empresário na cidade, teria arregimentado os outros dois homens no Pará para matar Mendes.
A suspeita, porém, é de que algum político ou grupo possa ter aliado ao empresário, unindo interesses para assassinar o prefeito.
“A investigação é mais ampla do que se imagina. Tem muita coisa por trás, além dessa dívida. O Município vive um clima de tensão. Todo mundo sabe, mas ninguém abre a boca para não ser uma nova vítima”, disse a fonte, que pediu para não ser identificada.
Nesta semana, uma testemunha fugiu da cidade supostamente porque foi ameaçada e teria sofrido um atentado. De acordo com a fonte, a cidade é movida pela disputa de poder.
Mendes é o segundo político assassinado na cidade em um intervalo de nove meses. Em março, o ex-vereador por três mandatos Elpídio Meira foi executado dentro de casa, em um crime ainda não esclarecido.
O inquérito policial sobre o assassinato deve ser encerrado até o final do ano.
O crime
O prefeito Esvandir Mendes conduzia uma Toyota SW4, quando foi interceptado pelos criminosos, que estavam em um veículo SUV preto, a cerca de 7 quilômetros da entrada de Colniza.
O veículo foi ao encontro da caminhonete do prefeito e vários disparos foram feitos contra ele, que ainda conseguiu dirigir, mas morreu no perímetro urbano, na BR-174, na esquina com a Rua 7 de Setembro.
Outros dois disparos feriram o secretário Admilson Ferreira, de 41 anos, sendo um na perna esquerda e outro nas costas. Ele passa bem.
Os suspeitos foram presos em uma estrada entre os municípios de Juruena e Castanheira (880 e 735 km a Noroeste da Capital, respectivamente).
Eles estavam em um Fiat Uno cinza, quando foram abordados, cerca de 20 km após Castanheira, por uma viatura da Polícia Civil.
Dentro do automóvel, foram apreendidos R$ 60 mil em dinheiro. O montante estava em pacotes do Banco do Brasil.