Família pede prisão do 'marido' de travesti morta a facadas
A irmã da travesti, Rosa Pereira, que mora em São Paulo, está em Cuiabá para providenciar o sepultamento de Michele
A família da travesti Michele, que tem como nome de registro Ricardo Costa de Souza, 47, assassinada com uma facada no pescoço dia 12 deste mês, em Cuiabá, quer responsabilizar o parceiro dela, identificado apenas como Sebastião. Os dois viviam maritalmente, no bairro Altos do Parque 1, região do Coxipó, e foram parar na delegacia várias vezes por agressões mútuas.
A irmã da travesti, Rosa Pereira, 48, que mora em São Paulo, está em Cuiabá para providenciar o sepultamento de Michele, pois caso contrário seria enterrada como indigente.
"Minha família é do Maranhão. Michele desde os 8 anos é travesti. Ela se separou da nossa família que é do Maranhão. Hoje em dia eu moro em São Paulo, minha mãe na Bahia, mas encontramos ela nas redes sociais e a gente vinha se falando. Muitas vezes ela se queixou de agressões, que ele batia nela, cortou o dedo dela, este tipo de coisa", lamenta a irmã, que é enfermeira. "Michele perdeu muito sangue com o corte no pescoço, por isso morreu."
Ela registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Cuiabá, na Avenida da Prainha, na manhã desta quarta-feira (18) pedindo providências à Polícia Militar porque Sebastião, segundo ela, está fazendo festas na casa do casal. Relatou que o imóvel está sendo frequentado por gente estranha, que seria usuários de álcool e drogas. "É um entra-e-sai", reclama.
Isso apenas uma semana após a morte. Michele comprou a casa, conforme a irmã, do programa Minha Casa Minha Vida, com dinheiro da pensão que ela recebia por ser portadora do vírus HIV e também do salão que mantinha em casa.
Ela reforça também que o casal brigava demais. "Tanto é que ela tinha medida protetiva, garantida pela Lei Maria da Penha", detalha.
A delegada Juliana Chiquito Palhares é responsável pelo inquérito na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ao Gazeta Digital, ela informou já interrogou o acusado nesta terça-feira (17).
"Ele negou e estamos investigando a veracidade do que disse", resumiu a delegada. "Temos testemunhas que afirmam que ele é o autor do crime, precisamos 'montar' este quebra cabeças", considerou a delegada. "Ainda não pedi a prisão dele, por enquanto", antecipou.
O presidente do bairro Alto do Parque 1, Alfredo Canteiro, acompanhou a irmã da travesti à delegacia, porque segundo ele, os moradores estão revoltados com a situação.