Ex-secretário da Copa em MT é levado à PF durante operação contra fraudes em obras do VLT
Maurício Guimarães foi conduzido coercitivamente à PF para prestar depoimento. Operação apura esquema de propina e desvio de verba das obras do metrô de superfície.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a Operação Descarrilho, em Cuiabá. Agentes estão em vários pontos da cidade cumprindo mandados.
Um dos locais onde os policiais estão é o Edifício Avenida, prédio comercial localizado na avenida Getúlio Vargas, região central de Cuiabá.
O ex-secretário extraordinário da Copa do Mundo em Mato Grosso, Maurício Guimarães foi um dos um alvos da operação contra fraudes nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que, além de não terem ficado prontas a tempo do mundial de futebol, estão paradas desde dezembro de 2014. Guimarães foi conduzido coercitivamente à sede da PF para prestar depoimento.
A operação investiga um suposto esquema de propina envolvendo representantes de empresas responsáveis pela obra e o desvio de verba por meio de empresas contratadas pelo Consórcio VLT.
Guimarães ficou à frente da Secopa por mais de dois anos. Assumiu o cargo em 2012 no lugar de Éder Moraes, que ficou um ano no comando na pasta e saiu alegando conflitos de interesses, e permaneceu até 2014, quando terminou a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
Ele já é réu em algumas ações judiciais sob acusação de ter cometido atos de improbidade administrativa durante a sua gestão. Em 2016, passou a responder a um processo na Justiça depois de ter sido denunciado por ter supostamente se negado a prestar informações à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o andamento das obras da Copa.
E, neste ano, ele, Éder Moraes e um ex-servidor da Secopa se tornaram réus na Justiça em uma ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) por supostamente terem causado prejuízo ao erário de R$ 410,7 mil. O desvio teria ocorrido por meio de um contrato para a construção de uma obra de mobilidade com uma empresa que não tinha apresentado a melhor proposta durante o processo licitatório.
Operação Descarrilho
Além do mandado de condução coercitiva contra Maurício Guimarães, em Cuiabá, a PF busca cumprir durante a Operação Descarrilho 18 mandados de busca e apreensão, em Mato Grosso, Minais Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
São 10 mandados em Cuiabá, um em Várzea Grande (MT), um em Belo Horizonte (MG), um no Rio de Janeiro, um em Petrópolis (RJ), dois em São Paulo e dois em Curitiba (PR).
Trem parado
Com R$ 1 bilhão já investido, a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que deveria ter ficado pronta para atender a demanda da Copa do Mundo de 2014, completou dois anos e sete meses parada. Conforme o governo, o maior impasse é em relação ao custo para concluir o projeto. O estado diz já ter repassado R$ 1.066 bilhão às empresas e que o consórcio chegou a pedir mais R$ 1,2 bilhão para terminá-la. Inicialmente, esse projeto estava orçado em R$ 1,4 bilhão. Ou seja, deve custar o dobro que o orçamento inicial.
Impasse
No mês passado, o governo do estado e o Consórcio VLT pediram à Justiça Federal mais 30 dias para apresentarem uma nova proposta de acordo para a retomada das obras do VLT em Cuiabá e Várzea Grande. Os ministérios públicos Estadual e Federal já se manifestaram, por duas vezes, contrários ao acordo selado pelo governo e o consórcio construtor em março deste ano.
Entre os pontos de discordância também está o valor para a retomada das obras. De acordo com um estudo de uma empresa contratada pelo governo, seriam necessários R$ 922,7 milhões para a retomada da implantação.