Em busca contra servidor do TCE, Gaeco desarticula rinha de galo
Polícia Ambiental apreendeu 19 galos no local e caseiro foi multado em R$ 57 mil
Durante as investigações sobre um suposto esquema de desvio dinheiro público por meio da Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual), o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) descobriu uma casa no Bairro Jardim Imperial II, em Cuiabá que era usada para o treino de briga de galos (rinha).
Conforme o Gaeco, o local era frequentado por um dos presos da operação Convescote, Cláudio Roberto Borges Sassioto, servidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A informação consta no pedido de prisão preventiva, condução coercitiva e busca e apreensão contra os acusados, autorizado pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime da Capital. Os pedidos foram assinados pelo coordenador do Gaeco, Marcos Bulhões, e pelos promotores Samuel Frungilo e Carlos Roberto Zarour, além dos delegados Wylton Massao Ohara e Carlos Américo Marchi, todos integrantes do grupo.
Durante os cumprimentos dos mandados, o Batalhão da Polícia Militar de Proteção Ambiental esteve no local em apoio ao Gaeco e encontrou 19 galos com as esporas cortadas.
Além disso, o local ainda contava com 25 gaiolas de ferro e uma arena - utilizada para o treino e rinha de galo - e medicamentos, entre outros materiais utilizados para manter a atividade que fere a Lei de Crimes Ambientais.
Os materiais utilizados para a rinha de galo foram apreendidos e entregues no depósito da Delegacia Especializada de Meio de Ambiente (Dema), no Bairro Carumbé, na capital.
O caseiro do local foi conduzido para a Dema, sendo autuado e multado em R$ 57 mil. Ele deverá responder pelo crime de maus tratos de animais, segundo a polícia.
A operação
Além de Cláudio Roberto Borges Sassioto, foram presos no dia da operação, Jocilene Rodrigues Assunção, Marcos José da Silva, Marcos Morenbo Miranda, Luiz Benvenuti Castelo Branco de Oliveira, Jose Carias da Silva Neto Neto, Karinny Emanuelle Campos Muzzi de Oliveira, Joao Paulo Silva Queiroz, Joao antonio Pita Sassioto, Hallan Goncalves de Freitas e Eder Gomes Moura.
Karinny Muzzi, Jocilene Rodrigues e Marcos Moreno, porém, tiveram as prisões preventivas convertidas em domiciliares, por decisão da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
Já João Paulo Silva Queiroz conseguiu liberdade, sem nenhuma medida cautelar, também por decisão da magistrada.
De acordo com o Gaeco, o esquema de desvios de recursos era viabilizado já que órgãos como a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas, além de secretarias de Estado e prefeituras firmavam convênios com a Faesp para prestação de serviços diversos.
A Faesp, por sua vez, subcontratava empresas (algumas delas "fantasmas"), para tercerização de tais serviços que eram pagos com dinheiro público. No total, conforme o Gaeco, o grupo criminoso desviou mais de R$ 3 milhões com o esquema.
Os recursos obtidos eram divididos entre os envolvidos, sendo que o responsável pela empresa normalmente ficava com uma pequena porcentagem do montante recebido e o restante era dividido entre funcionários da fundação e servidores do TCE.
Os alvos vão responder por crime de constituição de organização criminosa, e práticas de peculato, lavagem de capitais e corrupção ativa.