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Ferrogrão: Novo cronograma estabelece licitação em 2026 e conclusão em 2035
O projeto da Ferrogrão, ferrovia de 933 km que ligará Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), está em fase avançada de desenvolvimento. Durante uma apresentação em Sinop, o empresário Guilherme Quintela, presidente da Estação da Luz Participações, detalhou os recentes avanços. O Ministério dos Transportes está intermediando a licença ambiental, considerada a última etapa do processo antes da licitação. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve finalizar o projeto executivo em breve e encaminhá-lo ao Tribunal de Contas da União (TCU) para análise. Se aprovado, o leilão da concessão está previsto para ocorrer até julho de 2026, com a conclusão da obra estimada para 2035.
O novo estudo da Estação da Luz confirma que a extensão da ferrovia será mantida em 933 km, ao longo da BR-163, sem a necessidade de túneis ou relocação de populações. Serão construídas 65 pontes ferroviárias, totalizando 81 km, 4 viadutos ferroviários com 493 metros e 10 viadutos rodoviários. O projeto prevê o uso de 166,1 mil toneladas de trilhos e 2 mil dormentes de concreto, além de 48 pátios ferroviários. A maior ponte será sobre o rio Peixoto, com 250 metros de comprimento. Os ramais de Sinop a Lucas do Rio Verde estão previstos para uma segunda etapa.
A Ferrogrão promete reduzir em até 20% o custo do frete para produtores de Mato Grosso, representando uma economia anual de aproximadamente R$ 8 bilhões. A demanda projetada para a ferrovia até 2095 é de 69 milhões de toneladas. Uma composição ferroviária com capacidade para 16,9 mil toneladas substituiria 422 caminhões no percurso Sinop–Miritituba. Além disso, estima-se uma redução de 40% nas emissões de CO₂, equivalente a 3,4 milhões de toneladas por ano.
O projeto foi ajustado para operar dentro da faixa de domínio da BR-163, evitando o Parque Nacional do Jamanxim. Cerca de 60% do trajeto já percorre áreas desmatadas, e haverá compensação ambiental com o plantio de 2 mil hectares de vegetação nativa. Entretanto, o projeto ainda enfrenta desafios jurídicos. Entidades e partidos políticos contestam a concessão por alegada falta de consulta às comunidades indígenas afetadas, o que pode impactar o cronograma da obra.
O prefeito de Sinop, Roberto Dorner, expressou otimismo com o andamento do projeto, destacando a importância da Ferrogrão para o desenvolvimento regional. A ferrovia deverá beneficiar também os caminhoneiros, que atuarão no transporte de cargas entre as propriedades rurais e os terminais ferroviários, otimizando o fluxo logístico.
A Ferrogrão representa um avanço significativo na infraestrutura logística do Brasil, com potencial para transformar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. Apesar dos desafios jurídicos e ambientais, o projeto segue em desenvolvimento, com previsão de leilão para 2026 e conclusão para 2035.