MT faz caçada por doses e fecha 2021 com 67% do povo imunizado
Governo fez diversas tratativas com farmacêuticas, mas nenhuma compra foi finalizada
O início da vacinação contra a Covid-19 no país, após um ano de pandemia, marcou também o início da corrida do Governo de Mato Grosso por vacinas que pudessem ser entregues mais rapidamente do que os lotes enviados pelo Governo Federal. A ideia era imunizar a população de Mato Grosso em menos tempo.
A vacinação em todo o país teve início em janeiro, em ritmo lento. Já em fevereiro, o governador Mauro Mendes relatava a peregrinação e as frustrações que estava enfrentando na busca por imunizantes que pudessem ser comprados diretamente pelo Estado.
Na ocasião, o governador salientava que dinheiro não era um problema, mas sim a burocracia.
Tratativas frustradas foram iniciadas com a farmacêutica União Química, que produz a vacina russa Sputnik, e também com a embaixadas chinesa e indiana, a fim de viabilizar imunizantes dos laboratórios Sinovac e Sinopharm e comprar doses da AstraZeneca.
O democrata ainda tentou viabilizar a aquisição da Pfizer, sem sucesso. Entre os problemas enfrentados estava o fato dos laboratórios priorizarem a venda de doses à União, e não aos governos estaduais.
No final do mês de março, Mendes finalmente anunciou a compra de 1,2 milhão de doses da vacina russa Sputnik, por US$ 11,9 milhões. No entanto, mais uma dificuldade surgiu. O imunizante não teve a importação autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Após dois meses de respostas negativas, a Anvisa então liberou a entrada no país de apenas uma parte do quantitativo que seria comprado, mas seguindo uma série de limitações, sendo a utilização restrita a um estudo de efetividade. As mesmas restrições foram impostas à vacina Covaxin.
O governador Mauro Mendes, que já havia reclamado por diversas vezes do que chamou de “má vontade” da Anvisa, voltou à carga contra a agência, afirmando que foi dado um tratamento diferenciado aos dois imunizantes, enquanto outras vacinas não enfrentaram o mesmo processo.
Em agosto, o democrata “jogou a toalha” e desistiu da compra. Na ocasião, também, o envio de vacinas aos estados, feitos pelo Governo Federal, já havia aumentado significativamente, fazendo com que o ritmo de vacinação fosse acelerado em todo o país com doses da Coronavac, Pfizer, AstraZeneca e Janssen.
Dados atualizados nesta sexta-feira (31) mostram que Mato Grosso finaliza o ano com cobertura vacinal de 67,8%, ou seja, 1,9 milhão de habitantes já receberam as duas doses da vacina.