Criminosos usam empresa de fachada para 'lavar' milhões de reais obtidos com tráfico internacional
A PF identificou que somente dois operadores do esquema, movimentaram em menos de dois anos, milhões de reais
Os criminosos alvos da 'Operação Teseu', deflagrada nesta terça-feira (29), pela Polícia Federal, com objetivo de desarticular organização criminosa responsável pelo transporte de drogas e munições da região de fronteira seca do Brasil com a Bolívia para a região Nordeste do País, usaram uma empresa de fachada para lavar os milhões de reais obtidos com o crime. Durante o cumprimento dos mandados, até uma máquina de contar dinheiro foi encontrada na casa de um dos investigados.
A PF identificou que somente dois operadores do esquema, movimentaram em menos de dois anos, milhões de reais, valendo-se de uma empresa de fachada para camuflar a origem ilícita do dinheiro.
Na casa de um dos alvos, foi possível encontrar durante o cumprimento dos mandados até uma máquina de contar dinheiro. Foram indiciadas ao longo da investigação 49 pessoas, sendo que hoje são cumpridos 23 mandados, sendo quatro de prisão preventiva e o restante de busca e apreensão.
Além disto, a Justiça emitiu 49 ordens de sequestro de imóveis e veículos e bloqueio judicial de ativos financeiros em desfavor dos investigados. Grande quantidade em dinheiro também foi encontrada na casa dos acusados.
Participam da operação, aproximadamente 110 policiais federais, dando cumprimento aos mandados nos estados de Mato Grosso, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Bahia, Acre, Rio Grande do Norte, Paraíba e Goiás.
As investigações que resultaram na operação, tiveram início em agosto de 2020, quando a Polícia Federal em Barra do Garças/MT prendeu em flagrante delito um dos integrantes da organização criminosa que era responsável pelo transporte dos ilícitos em cargas de ração animal.
Após a prisão foi possível identificar um forte esquema de transporte de drogas e munições, composta por vários membros, dentre eles familiares de presos e internos de estabelecimentos prisionais. A droga adquirida na Bolívia, era transportada em caminhões, do Estado do Mato Grosso para a região nordeste do país.
Nome da operação
Teseu, é um personagem da mitologia grega, que em uma longa viagem em seu navio realizou substituições contínuas de peças, dificultando a resposta se seria o mesmo navio que saiu da origem. Seguidas reposições de peças fazem analogia ao processo de lavagem de dinheiro, que se vale de uma sequência de operações financeiras para dissimular a origem ilícita de recursos.