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Conflitos no campo em MT atingem mais de 64 mil pessoas
São 169 conflitos que envolvem uma área de 1,4 milhão de hectares
Os conflitos no campo em 2020 em Mato Grosso atingiram 64.483 pessoas em 169 conflitos. Os dados são do anuário da Pastoral da Terra, que monitora as disputas por terra e água na zona rural. Apesar do alto número de registros, no ano passado não foi registrada nenhuma morte em decorrência desses conflitos.
São 169 conflitos que envolvem uma área de 1,4 milhão de hectares. Nessas zonas de disputa, 324 famílias tiveram as casas destruídas, 419 tiveram as roças devastadas e em 1.151 casos foram destruídos bens pessoais.
As disputas por terra no envolvem indígenas, quilombolas, sem terras, posseiros, ribeirinhos e assentados. Durante os conflitos 474 famílias foram despejadas, 1.184 sofreram ameaças - muitas vezes acompanhadas de violência -, 719 foram alvos de pistolagem e 6.916 de invasão de suas terras.
A região mais problemática em 2020 foi o Parque Indígena do Xingu, no leste de Mato Grosso. Lá moram 1.875 famílias, que sofreram 6 ataques/ameaças durante 2020. As vítimas foram os indígenas que habitam o parque.
Outra terra indígena sob ameaça é a Parabubure/Xavante, em Nova Xavantina (645 km a leste de Cuiabá. Lá as 955 famílias que vivem no local sofreram ataques em junho e setembro.
Na disputa pela terra, foram registradas uma tentativa de homicídio, em julho na Terra Indígena Ponta da Pedra, em Campo Novo do Parecis (396 km a noroeste), com 3 vítimas. Outras duas pessoas foram ameaçadas de morte no Pré-Assentamento Boa Esperança, em Novo Mundo (785 km ao norte), em dezembro.