“Bandido bom é bandido preso, não morto”, afirma secretário
Para Rogers Jarbas, esvaziamento da lei vai aumentar a criminalidade em todo o país
O secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, afirmou ser favorável ao Estatuto do Desarmamento, que restringe o porte de armas para determinadas categorias e a pessoas que, por questões particulares, comprovem a necessidade de andar armado como medida de autoproteção.
Na última semana, o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) apresentou requerimento à Mesa da Câmara com um pedido de votação em regime de urgência do projeto 3.772, que relaxa as regras para compra, registro e porte de armas de fogo.
Pelo projeto - que contou com mais de 45 mil assinaturas - qualquer pessoa, a partir de 21 anos de idade, poderá portar armas livremente. Basta que, para isso, não tenha antecedentes criminais e não seja reprovado em teste de sanidade mental.
Alberto Fraga afirma que pessoas comuns precisam e até devem ter armas de fogo em casa, no carro ou nos lugares por onde andam para se defender de eventuais ataques de criminosos. A alegação é de que os bandidos armados levam vantagens sobre cidadãos honestos desarmados.
Para o secretário Rogers Jarbas, no entanto, o cidadão de bem armado pode colocar a sua vida e a vida de toda a sua família em perigo.
“Um pai de família que nunca fez um disparo com uma arma, em uma ação criminosa e tentativa de reação vai colocar ele e a família dele numa situação de vulnerabilidade muito maior”, afirmou Jarbas, em entrevista ao programa Conexão Poder.
“Nós não podemos comparar a nossa cultura com as dos americanos. A cultura bélica brasileira é diferente da cultura bélica americana. Eles têm uma cultura bélica já de centenas de anos e o trato com equipamento bélico lá é completamente diferente do nosso. Eles se preparam, efetuam disparos, estão sempre se capacitando, treinando. Nós não temos essa cultura aqui”, disse.
De acordo com Rogers Jarbas, o problema de segurança no Estado e em todo país não irá se resolver matando os bandidos.
“Bandido bom é bandido preso e não bandido morto. E cidadão bom é aquele que não se torna um bandido. A gente tem que evitar que o cidadão de bem se torne um criminoso”, disse.
Aumento de roubo de arma de fogo
Além do risco de vida ao cidadão, o secretário afirmou que o esvaziamento do Estatuto do Desarmamento aumentará imediatamente o volume de armas de fogo em circulação e o resultado disso será o crescimento do número de roubo pelo equipamento.
“Historicamente, boa parcela de todo equipamento bélico usado por criminosos nasceram de uma residência. Sabe por quê? Eles ingressaram nas residências e subtraíram uma arma lícita. Então a maior parte das armas que estão com criminosos já estiveram nas mãos de pessoas de bem e que não cuidaram bem do equipamento, que não tiveram zelo”, disse.
"Atualmente, os alvos são as agências bancárias. A maioria dos criminosos invadem os bancos não para roubar dinheiro, mas sim para subtrair as armas dos vigias", afirmou.
Para o secretário, quanto menos armas de fogo estiverem em circulação, maior é a queda no número de crimes, como homicídio e latrocínio.
“No ano passado nós apreendemos mais de 4 mil armas. O efeito disso está surgindo agora. Em janeiro e fevereiro de 2017 houve uma redução de 34% do número de homicídios, comparado ao mesmo período do ano passado”, pontuou.