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Paccola se defende e chora: “Não me senti feliz ou satisfeito”
Processo por quebra de decoro foi instaurado após ele matar o agente socioeducativo na Capital
A Câmara de Cuiabá vota nesta quarta-feira (5) o processo de cassação do vereador Marcos Paccola (Republicanos), pela acusação de quebra de decoro parlamentar.
O parlamentar é réu na Justiça pelo assassinato do agente socioeducativo Alexandre Miyagawa, ocorrido no dia 1º de julho, no Bairro Quilombo, em Cuiabá.
Conforme o regimento interno da Casa de Leis, é preciso a maioria absoluta dos votos para que o mandato dele seja cassado. Assim, para tirá-lo da Câmara, será necessário que 13 dos 25 vereadores votem a favor da cassação, independente do quórum (quantidade de parlamentares presentes na sessão).
Segundo o presidente da Câmara, Juca do Guaraná (MDB), o rito estabelece a abertura da inscrições de três vereadores contrários e três favoráveis à cassação do Paccola para uso do microfone. A defesa – pró ou contra – deverá ser feita em 6 min.
Paccola só fará a defesa após a fala dos colegas.
Paccola chora
Após a fala de seu advogado de defesa, o vereador tomou a tribuna para falar sobre o processo de cassação.
Visivelmente emocionado, com os olhos lacrimejando, Paccola disse não ter ficado satisfeito com o episódio que culminou com a morte do agente.
“Em momento algum me senti feliz ou satisfeito com o resultado, em se tratando principalmente de um colega de profissão. [...] Às vezes, ouvindo minhas falas, não tenham visto as minha lagrimas, nem as da minha família. Mas eu também tenho mãe”, disse o vereador.
Ele completou dizendo que poderia ter sido morto, posto que ‘Japão’ também estava armado. “Naquele dia, se a decisão que eu tomei não fosse aquela, muito provavelmente eu não estaria aqui”, disse.
Paccola, ao começar a fala, recebeu protestos da família do agente, que gritou por “Justiça”, na galeria da Casa de Leis.
Ainda durante o discurso, Paccola chorou e disse que não quer “benevolência” dos colegas, mas que “coloquem a mão na consciência”.
“Gostaria de dizer aos parlamentares que estão aqui: não quero benevolência. Não quero que os senhores votem para me ajudar ou me prejudicar, nem por influencia de A ou B, mas por suas próprias convicções”, disse.
“[...]Esse julgamento para mim é mais difícil do que o que vai acontecer no Tribunal do Juri. Porque aqui os senhores não estão julgando a culpabilidade do fato. Estão aqui para julgar três itens, que eu carrego como razão de existência: dignidade, honra e integridade”, afirmou.
“Não faço questão do meu mandato, isso não é minha renda principal. Não cheguei aqui com apoio de político, cheguei aqui por missão e propósito. E o que peço hoje é que coloquem a mão na consciência”, acrescentou.