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Mulher tenta atendimento médico para boneco “bebê reborn” em UPA de Várzea Grande e caso chama atenção
Situação inusitada reacende debate sobre saúde mental e propostas de lei que tratam do apego emocional a bonecos realistas em Mato Grosso
Uma situação inusitada surpreendeu a equipe de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, neste domingo (27). Uma mulher, que acompanhava uma paciente, pediu ajuda médica para um “bebê” que apresentava sintomas gripais — mas o que parecia uma criança era, na verdade, um boneco reborn, conhecido por sua aparência extremamente realista.
Segundo os profissionais, a mulher insistiu que o “bebê” fosse atendido, o que levou a equipe a acionar o setor de pediatria. No entanto, ao examinar o suposto paciente, os médicos constataram que se tratava de um boneco artesanal.
A administração da unidade informou que o atendimento foi negado, justificando que apenas pessoas com registro civil e cartão do SUS podem ser assistidas. Testemunhas relataram que a mulher deixou o local abalada e inconformada com a negativa.
Em nota, a Superintendência das UPAs de Várzea Grande destacou que o serviço deve priorizar pacientes que realmente necessitam de cuidados médicos, evitando que casos sem urgência comprometam o atendimento público.
O episódio reacende um debate que já chegou ao Legislativo mato-grossense. Em maio deste ano, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) apresentou um projeto de lei que cria um programa de atenção à saúde mental para pessoas que desenvolvem vínculos afetivos com bonecos “reborn”. A proposta proíbe o atendimento clínico ou hospitalar a esses objetos, mas prevê suporte psicológico e psiquiátrico às pessoas que manifestam esse tipo de comportamento.
No mesmo período, o vereador Rafael Ranalli (PL), de Cuiabá, apresentou uma proposta semelhante no âmbito municipal, com o objetivo de coibir o uso indevido da estrutura pública de saúde para situações que não envolvem pacientes reais.
Especialistas afirmam que o apego excessivo a bonecos realistas pode estar ligado a distúrbios emocionais ou traumas não resolvidos, e defendem que o tema deve ser tratado com sensibilidade, dentro da perspectiva da saúde mental.