MP promove reunião para debater fechamento do comércio e orientar manifestantes
Encontro foi realizado na promotoria
O Ministério Público, por meio dos promotores Élide Manzini, Fernanda Pawelec e Márcio Florestan, promoveu, nesta tarde, uma reunião para debater o fechamento do comércio de Sorriso, bem como orientar sobre os requisitos legais das manifestações. O encontro foi realizado na sede da Promotoria de Justiça do município.
Participaram da reunião empresários, agricultores, além de profissionais de outros segmentos, representantes das forças de segurança, e das entidades que representam o comércio, e políticos. Questionada, a classe empresarial esclareceu que não há qualquer imposição para que os lojistas fechem seus estabelecimentos, configurando-se uma manifestação facultativa.
O promotor de justiça Márcio Florestan esclareceu que há “preocupação também com atos isolados que, às vezes, ocorrem e não representam a maioria das pessoas que exerce seu direito de livre manifestação e acabam implicando no fechamento de rodovias ou fechamento de comércios, as vezes buscando convencer pessoas que não quiseram aderir à paralisação de suas atividades comerciais a fazê-lo. Então, é importante que assim como o direito à liberdade de manifestação seja valorizado, um direito sagrado na Constituição, também o direito das pessoas que precisam continuar exercendo suas atividades comerciais seja respeitado. Valorizamos muito a liberdade de manifestação e opinião, mas ela precisa ser exercida dentro dos limites constitucionais e legais”.
O promotor observou, ainda, questões relacionadas à economia. “Temos preocupação com preservação do emprego, da renda das famílias em breve inicia período de natal, em que há aquecimento da economia, período importante na complementação de renda das famílias. A gente tem preocupação da ordem pública seja mantida para que as coisas possam caminhar bem no nosso município e país sem que haja tumultos, atos de vandalismo”.
Na oportunidade, Florestan ainda frisou que foram ouvidas as diversas opiniões da população e de lideranças. “Valorizamos a opinião das pessoas que participaram da reunião. Estamos permanentemente abertos a dialogar com as pessoas e encontrar caminhos de diálogo e consenso. Acreditamos que a esmagadora maioria da população brasileira e sorrisense é formada por pessoas de bem, pacíficas, que não têm nenhum interesse em promover tumulto, fechamento de rodovias ou ato de vandalismo”.
Setor lojista
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sorriso (Aces), César Roberto Schevinski, reiterou que a manifestação é ordeira e pacífica. “A gente sempre defendeu que o comércio se fortaleça e quem quiser se manifestar, é livre, e quem quer tocar o negócio, nós iremos respeitar”, frisou.
No evento, os promotores explanaram aos partícipes as características de manifestos legais. “É importante o que eles nos instruíram e isso vem fortalecer mais o nosso trabalho e nos nortear. A abertura para virmos buscar informações é importante”, acrescentou César.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Sorriso, Jeferson Silveira, destacou que a entidade é livre e representativa, mas o direito de abertura ou fechamento do comercio é individual. “Não há nenhuma interferência de nenhuma entidade até porque somos um país democrático e toda e qualquer manifestação é de livre arbítrio de cada um”.
Sobre comissão
Alguns empresários que decidiram manter seus estabelecimentos abertos citaram a criação de uma suposta comissão, que organiza o movimento e que também promoveria “visitas” aos estabelecimentos que não fecharem as portas. Sobre o assunto, o promotor pontuou que os lojistas não podem sofrer quaisquer constrangimentos.
“A comissão, se ela respeita a decisão do comerciante, é desnecessária. Pois se o comerciante fez uso da sua autonomia da sua liberdade e decidiu manter as suas portas abertas, comissão para quê? É para constranger sim. Perdoe-me, mas vamos falar o português claro. Ninguém vai mandar comissão visitar alguém que decidiu manter o comércio aberto, vamos parar com meias palavras e usar da sinceridade”, destacou Florestan.
Entidade repudia áudio coercitivo
Sobre áudio que circula em aplicativos de mensagens, no qual empresários são coagidos ao fechamento de suas lojas, o presidente da CDL repudiou o ato. “É totalmente repugnante ouvir um áudio desse, pois estamos num país onde prezamos pela liberdade e áudios coercitivos são bárbaros e não são compatíveis com a nossa natureza e repudiamos veemente este tipo de comunicado. A liberdade econômica e do cidadão é primordial”.
Uma empresária sorrisense aproveitou o espaço para destacar o que motiva a manifestação de parte dos comerciantes. “Hoje nós temos que lutar para derrubar quem está lá em cima fazendo atrocidades e não tem como falar disso sem se emocionar porque nós perdemos a nossa liberdade”, frisou.
Prefeitura apoia manifestação pacífica
O prefeito Ari Lafin ressaltou que o Executivo é favorável às manifestações ordeiras. “Sou contra fechamento de rodovias e badernas como todos demais empresários se colocaram da mesma maneira. O fechamento do comércio tem sido algo de uma decisão de cada empresário, não há nenhum decreto ou imposição. Há uma manifestação de uma tristeza e busca de algumas respostas em nível federal referentes às eleições. Em Sorriso, o movimento tem sido ordeiro”.
Uma reunião, segundo Lafin, será realizada para avaliar os efeitos dos bloqueios na BR-163, sobretudo quanto ao quantitativo de alimentos e de combustível para manutenção das frotas do Poder Público.
À imprensa, o chefe do Executivo voltou a citar que a Prefeitura manifesta apoio e solidariedade à tradição do povo de Sorriso após as declarações de um jornalista sobre a "história" do município e seus colonizadores.
“Sorriso é formada por pessoas trabalhadoras. Fomos atacados dizendo que somos assassinos de índio, mas isso é uma mentira absurda. Os pioneiros que chegaram aqui foram para plantar arroz, e com o tempo foram semeando a soja e somos reconhecidos por homens e mulheres através do suor e mãos calejadas e nunca pelas mãos manchadas de sangue. Como líder não concordo, apoio às manifestações ordeiras”, concluiu Lafin.