Advogado tem carros de luxo em nome de terceiros, afirma Defaz
Anilton Gomes Rodrigues é o principal alvo de ação
O advogado Anilton Gomes Rodrigues, que foi preso na Operação Faker Paper na manhã desta quarta-feira (9), leva uma vida de ostentação em Cuiabá. A informação foi confirmada ao MidiaNews pelo delegado Sylvio Vale, da Delegacia Fazendária (Defaz). De acordo com ele, Anilton possui vários terrenos, carros e apartamentos. Além disso, ele andaria em carros de luxo registrados em nome de terceiros.
Anilton é apontado como líder de um esquema responsável por sonegar impostos através de emissão de notas frias em Mato Grosso. Segundo as investigações, ele era sócio e contador das empresas Rio Rancho Produtos do Agronegócio, Mato Grosso Comércio e Serviços e a B. Da S. Guimarães Eireli, que juntas emitiram R$ 337.337.930,11 em notas frias, gerando um prejuízo "alarmante" aos cofres do Estado.
Segundo o delegado Sylvio, o advogado foi preso em um apartamento no Edifício Garden Goiabeiras, no Bairro Goiabeiras, região central da Capital.
Ele também tem uma casa no Bairro Jardim Shangri-lá, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão. “Ele estava dormindo no Garden Goiabeiras. E depois fomos com ele para o Shangri-lá, onde estávamos atuando”, disse o delegado.
A Polícia investiga se o apartamento no Goiabeiras ele comprou para dar de presente à namorada. Além disso, foram descobertos diversos terrenos que seriam de sua propriedade.
Carros de luxo
Além das moradias, Anilton também tem veículos considerados de luxo. O delegado da Defaz afirmou que busca apreender um Toyota SW4, que está no nome do profissional.
As investigações também apontam que Anilton teria outros carros registrados em nome de terceiros. “Ele anda com vários carros. Tem Mercedez-Benz, [Ford] Ranger, SW4”, contou.
A operação
Além do advogado, a operação cumpriu mandado de prisão contra outras oito pessoas. Os nomes dos demais alvos ainda não foram divulgados. A ação cumpriu 15 mandados de busca e apreensão.
Conforme o secretário de Estado de Fazenda (Sefaz), Rogério Gallo, o esquema foi descoberto pela gerência da Sefaz que calcula a partilha do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) aos municípios, conforme as operações tributadas em cada cidade.
Este setor é responsável por verificar o comportamento das operações realizadas nos municípios e, assim, estabelecer critérios para a divisão do bolo do ICMS. “Foi verificado que essas três empresas movimentaram volumes financeiros e de produtos que não tinham correlação com as entradas em mercadorias nos seus estabelecimentos. Isso gerou relatório de inteligência, que foi compartilhado com a Defaz”, explicou o secretário.
“Um dos produtores rurais acabou vindo à Defaz e confessou que de fato aquela aquisição dele não era uma operação real, era fictícia, enfim. A partir daí desencadeou essa operação”, acrecentou.
Além disso, o esquema possibilitou a prática de crimes não tributários, como a fraude a licitação, ou mesmo 'esquentar' mercadorias furtadas ou roubadas.
Os mandados foram cumpridos em sete cidades de Mato Grosso: Cuiabá, Tangará da Serra, Campo Novo dos Parecis, Barra do Bugres, Canarana, Sorriso e Juína.