Suspeitos de ser laranja de ex-secretário de Saúde se entrega à PF
Liandro teve mandado de prisão expedido pela Justiça Federal no último dia 29 de outubro
Há uma semana foragido, o empresário Liandro Ventura da Silva se entregou na tarde desta quinta-feira (4) à Polícia Federal em Cuiabá. A informação foi confirmada pela assessoria da PF.
Liandro foi um dos alvos da Operação Cupincha, segunda fase da Curare, que apura desvios na Saúde Pública de Cuiabá. Agora ele será ouvido pelo delegado Charles Cabral Motta, da Delegacia de Combate a Corrupção da PF, e posteriormente passará por audiência de custódia na Justiça Federal.
Por não possuir curso superior, Liandro será encaminhado a uma prisão comum logo após a audiência. Ele teve mandado de prisão expedido pela Justiça Federal no último dia 29 de outubro, quando foi deflagrada a operação. Os agentes, no entanto, não o encontraram em sua residência.
Na ocasião foram presos o ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Célio Rodrigues, e o empresário Paulo Roberto de Souza Jamur. A suspeita da PF é que Liandro e suas empresas - entre elas a Cervejaria Cuyabana - foram usados para lavar o dinheiro desviado da Saúde.
Conforme as investigações da Polícia Federal, Liandro seria uma suposto “assistente” de Célio. Entre as empresas em que seriam sócios, está a cervejaria, que está no nome de Liandro e da esposa de Célio, Joany Costa de Deus.
Ocorre que, para a PF, Célio e Paulo Roberto seriam “sócios ocultos” da empresa, e está seria usada para receber e ocultar o recebimento de recursos públicos desviados.
Operação Cupincha
Além das prisões, a operação também cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e bloqueou R$ 46 milhões em bens dos investigados. Conforme a PF, o grupo empresarial investigado, que fornece serviços à Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, recebeu, entre os anos de 2019 e 2021, mais de R$ 100 milhões da Prefeitura. O grupo teria se mantido à frente dos serviços públicos mediante o pagamento de propina.
O esquema na Secretaria de Saúde, conforme as investigações, funcionava por meio de reiteradas contratações emergenciais de empresas para prestar serviços em hospitais públicos, contrariando a Lei de Licitações.
Segundo a PF, após a Prefeitura pagar pelos "serviços" prestados aos hospitais, os recursos paravam em contas de empresas intermediárias, muitas vezes com atividades econômicas incompatíveis, e passavam a ser movimentados, de forma fracionada, por meio de saques eletrônicos e cheques avulsos. O objetivo, segundo a PF, era tentar ocultar o real destinatário dos recursos.