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Mãe de Bruno desabafa após morte do assassino: “Peço perdão a Deus, mas estou feliz”
Em entrevista exclusiva à Real TV Sinop, mãe de Bruno relata dor que atravessa duas décadas e diz sentir alívio por saber que o assassino do filho não fará novas vítimas.
A morte de João Ferreira da Silva, condenado pelo assassinato brutal do menino Bruno Aparecido dos Santos, reacendeu lembranças dolorosas de um dos casos mais marcantes da história de Sinop. Vinte anos após o crime, a mãe da vítima, Josiana da Silva, concedeu uma entrevista exclusiva à Real TV Sinop, afiliada à Rede Record, e compartilhou um depoimento emocionado sobre a dor que nunca passou e o alívio que sentiu ao saber que o assassino do filho não fará novas vítimas.
Josiana relatou que, mesmo evitando falar sobre o assunto, a lembrança do filho permanece viva diariamente. “Eu não gosto de comentar, mas eu não esqueço. A dor é a calma, né? Deus conforta a gente, mas todos os dias a dor dele está aqui.” Para ela, o tempo não amenizou a ausência: Bruno, que hoje teria 29 anos, poderia ter construído uma família. “Eu poderia ter meus netos, filhos dele. Poderia ter ele um homem. E não tenho.”
Ao saber da execução de João na manhã desta quarta-feira (10), Josiana foi até o local do crime. A cena trouxe à tona sentimentos intensos, que ela acreditava ter superado. “Me arrependi de ter ido. Fiquei com ódio, com vontade de matar ele de novo. Eu achava que eu não teria coragem. Mas vendo ele morto, eu sei que se tivesse a oportunidade, eu teria matado como mãe.” Apesar disso, ela reforça que entende que a justiça foi feita, ainda que tardiamente. “Sim, a justiça foi feita, mas pra mim demorou muito tempo.”
Durante a entrevista à Real TV Sinop, Josiana também relembrou o desaparecimento de Bruno. O menino havia sido deixado na casa do pai e deveria, como de costume, sair para brincar. Após buscas desesperadas, ele foi encontrado dias depois, sem vida, em um terreno baldio. “Eu não tive coragem de ver ele. Eu não vi ele morto. Não consegui.”
Mesmo com a dor que atravessou duas décadas, Josiana admitiu ter sentido alívio ao saber que João não poderá fazer novas vítimas. “Eu peço perdão a Deus por estar feliz. Não por ele ter morrido meu filho não volta mas por saber que ele não vai matar mais ninguém. Nenhuma criança vai ser morta por ele.”
João Ferreira da Silva cumpria pena desde 2005. Ele foi condenado a 42 anos de prisão pelo homicídio de Bruno e posteriormente recebeu mais 10 anos por atentado violento ao pudor contra outra criança. O caso causou grande comoção em Sinop, gerando revolta popular e tentativas de linchamento na época. Ele chegou a ser transferido para Cuiabá, fugiu e foi recapturado horas depois.
Na manhã de ontem, poucas horas após deixar o presídio Ferrugem, beneficiado pela progressão ao regime semiaberto, João foi executado a tiros em frente a um hotel no bairro Santa Mônica. Imagens de câmeras de segurança indicam a participação de dois suspeitos, que fugiram após os disparos. A Polícia Civil investiga a motivação do crime. Leia a matéria completa clicando aqui.
Na entrevista à afiliada da Rede Record, Josiana mostrou que, embora a justiça tenha sido feita, nenhuma medida é capaz de restaurar a vida que foi interrompida há duas décadas. Ainda assim, encontra algum consolo em saber que outras crianças estão fora do alcance daquele que ceifou a vida de seu filho. “Meu filho não volta. Mas ele não vai matar mais ninguém.”