MPF quer arquivar inquérito e conselheiro diz: “fui alvo de um erro”
Investigações apuravam suposto esquema na venda de uma propriedade rural para uma empresa em MT
O Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento da investigação da Polícia Federal contra o conselheiro Antônio Joaquim, do Tribunal de Contas (TCE-MT), sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro na venda de uma fazenda em Nossa Senhora do Livramento.
O caso era investigado no âmbito da Operação Ararath. Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (9), o conselheiro disse ter sido alvo de uma "injustiça".
O pedido de arquivamento foi feito pela procuradora da República Valeria Etgeton de Siqueira no dia 28 de abril. Ele precisa ser oficializado pelo juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara da Justiça Federal.
As investigações apuravam um suposto esquema na venda de uma propriedade rural, pertencente ao conselheiro, para a empresa Trimec Construções e Terraplanagem Ltda, cuja negociação teria o envolvimento do ex-governador Silval Barbosa.
O ex-governador citou a venda em sua delação premiada homologada em 2017. À época, a venda ocorreu por R$ 6,6 milhões. Em setembro daquele ano, durante a Operação Malebolge, na 12ª fase da Ararath, Antônio Joaquim foi afastado da cadeira de conselheiro e retornou apenas em abril de 2020.
À imprensa, Joaquim chorou ao falar sobre o caso e citou os riscos de uma acusação dessas "à vida de um inocente". "Se você não tiver a família, esposa, filhos e netos, morre. Dá um tiro no ouvido, um infarto. A injustiça é uma coisa que dói de forma intensa. Imagina você saber que está sendo injustiçado por uma autoridade de forma irresponsável, um abuso de autoridade, por um sujeito que se sente Deus”, disse emocionado.
Críticas a Janot
O conselheiro foi afastado das funções pelo ex-procurador da República, Rodrigo Janot. Ele chamou as ações de Janot de "irresponsável" e "criminoso". Segundo ele, o episódio o impediu de ser candidato a governador nas eleições de 2018.
“Um erro irresponsável e criminoso do Janot me indiciar sem motivo, sem nenhum fato que pudesse ensejar meu afastamento... Poderia até fazer o inquérito, mas não me afastar sem indício nenhum, sem checar nada”, afirmou.
“Mudou minha vida e me impediram de ser candidato. Me transformaram em um bandido. Fui julgado e condenado centenas de vezes por jornalistas [...] Uma coisa de louco. Foram quase cinco anos, mas sempre resisti bravamente e [acreditei] que o Ministério Público seriam mais responsáveis", completou. Leia aqui a reportagem completa do Mídia News.