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Aposentado de 62 anos realiza sonho e ingressa em Medicina após carreira em farmácia
O aposentado Euter Jesus da Silva, de 62 anos, é prova viva de que nunca é tarde para realizar um sonho. Após dedicar 53 anos de sua vida ao trabalho em farmácia, ele conquistou uma vaga no curso de Medicina da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), em Mato Grosso.
A notícia chegou de forma emocionante. Antes mesmo que Euter soubesse do resultado, seus familiares descobriram a aprovação e organizaram uma festa surpresa, com faixa, camisetas personalizadas e clima de comemoração. “Quando encerrei minhas atividades na área farmacêutica, foi quando me surgiu a oportunidade. Estar na Medicina sempre foi um desejo antigo”, contou emocionado.
Para a esposa, a professora Rosely Ossuna, acompanhar essa nova fase do marido é motivo de orgulho. “Tem dia que eu oro, eu choro em casa sozinha. Quando vejo ele postando fotos da faculdade, me encho de alegria. O que me sustenta é ver a felicidade dele realizando esse sonho”, disse.
Histórias como a de Euter refletem um movimento crescente no Brasil: o de aposentados que buscam novos desafios, seja em uma nova profissão ou na adaptação às demandas do mundo digital. Segundo pesquisa do IBGE, o uso da internet entre pessoas com 60 anos ou mais aumentou significativamente em Mato Grosso.
Com isso, surgem iniciativas gratuitas de capacitação em informática e tecnologia, voltadas especialmente ao público idoso. O objetivo é ajudar na reinserção profissional e também na integração social.
A pedagoga aposentada Raquel Arruda do Nascimento, de 70 anos, também representa esse cenário. Ela chegou a cogitar retornar às salas de aula, mas encontrou dificuldades com os aplicativos de ensino. “Eu consigo mandar mensagem de voz, fazer chamada de vídeo, só não consigo tirar foto ainda. Para mim, isso ainda é complicado”, relatou.
Especialistas destacam que aprender a lidar com celulares e aplicativos vai além do aspecto profissional: é uma forma de manter vínculos, reduzir o isolamento e fortalecer a autoestima. Afinal, como mostra a trajetória de Euter, envelhecer não significa parar, mas sim reinventar-se.